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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 Swansea | 11:19

Mestre Laudrup

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Laudrup exibe sua maior conquista como treinador

A conquista da Copa da Liga pelo Swansea não foi milagrosa, acidental. O primeiro grande título da história dos cisnes é um prêmio ao excepcional trabalho executado – para estabelecer um marco – há oito temporadas, desde a mudança para o Liberty Stadium. É o título de Britton, que representou o clube nas quatro divisões profissionais do futebol inglês, e Michu, símbolo do progresso do Swansea.

A goleada por 5 a 0 sobre o Bradford na final reforça também a importância do técnico Michael Laudrup. Embora seja herdeiro de ótimos trabalhos, particularmente o de Brendan Rodgers, o dinamarquês reconstruiu o elenco e acrescentou ao time as qualidades que o levaram a Wembley. Michu tenta convencê-lo a ficar em Gales, mas parece evidente que Laudrup tem virtudes para treinar qualquer clube:

Mentalidade vencedora. Em série de documentários sobre grandes jogadores produzida pela ESPN, Laudrup explicou por que trocou o Barcelona pelo Real Madrid em 1994. A saída era atribuída a desentendimentos com Johan Cruyff, técnico blaugrana, mas ele garantiu que a única razão foi a perspectiva de sucesso. Na versão de Laudrup, o Barça sofreria um déficit de motivação em 1994-95, pois vinha de quatro títulos consecutivos e tinha jogadores como Romário e Stoichkov, destaques da Copa do Mundo que sofreriam uma “queda natural” de desempenho. Ele estava certo. O Real Madrid foi campeão espanhol e derrotou o Barcelona por 5 a 0 durante a campanha. Como treinador, também já é possível perceber que nada atrai Laudrup mais do que a vitória.

Visão de mercado. Laudrup buscou três jogadores com quem havia trabalhado em Mallorca e Getafe: Chico Flores, De Guzmán e Pablo Hernández, que preencheram perfeitamente os buracos do elenco. Em entrevista ao espanhol El País, ele foi questionado sobre Michu. O dinamarquês relatou que o aspecto fundamental para a contratação foi a conversa com pessoas próximas ao então meia-atacante do Rayo Vallecano, que pudessem falar sobre a personalidade dele. Alguns telefonemas, e você faz o negócio do ano na Inglaterra.

Sagacidade. O blog já tratou dos ajustes que transformaram o Swansea num time mais seguro e objetivo em relação à temporada passada. Na decisão, Laudrup também foi preciso. Sem o lesionado Chico Flores, mesmo com outros zagueiros à disposição, ele improvisou o meia Ki Sung-Yueng porque sabia que o Bradford defenderia com linhas retraídas e ofereceria espaço aos zagueiros do Swansea. A principal tarefa de Ki não era defender, mas organizar a saída de bola, o que ele faz naturalmente. Outro acerto foi a presença de três wingers – Pablo, Routledge e Dyer – para confundir a marcação.

Personalidade tranquila. Ainda na entrevista ao El País, Laudrup afirmou que dá liberdade a seus jogadores porque, “até que se prove o contrário, são adultos”. Quando Dyer foi substituído ontem, alguns minutos depois de quase armar um escândalo na tentativa de cobrar um pênalti e marcar seu terceiro gol na decisão, o treinador sorriu e o abraçou em vez de repreendê-lo. Laudrup criou um ambiente amistoso no vestiário, mas não perdeu o controle dele.

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013 Swansea | 23:52

De Wembley a Wembley?

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A vitória por 2 a 0 sobre o Chelsea em Stamford Bridge aproximou demais o Swansea da decisão da Copa da Liga. Desde a temporada passada, as visitas ao Liberty Stadium são penosas para qualquer equipe. Nas duas mais recentes, primeiro com André Villas-Boas e depois com Roberto Di Matteo, o Chelsea não dominou as partidas e empatou por 1 a 1. É ingrata a tarefa do time de Rafael Benítez, que precisa ao menos devolver o resultado em Gales para tentar chegar à final da Capital One Cup.

Laudrup se adaptou facilmente à Premier League

O vencedor do outro confronto, seja Bradford ou Aston Villa, não assusta para uma eventual final em Wembley. Hoje, o Swansea é favorito à Copa da Liga, que seria o primeiro título de elite dos cisnes no futebol inglês. Copas são absolutamente circunstanciais (quem não se lembra do título do Birmingham no ano do rebaixamento?), mas o clube merece o troféu como uma espécie de chancela para o fantástico trabalho executado há várias temporadas.

A partida de Stamford Bridge foi a síntese do Swansea de Michael Laudrup: defesa sólida e precisão para marcar gols. A vitória é reflexo de um mercado de verão impecável, no qual o clube perdeu peças-chave para o êxito na temporada passada (notadamente, Brendan Rodgers, Allen, Sinclair e Sigurdsson, todos devidamente substituídos) e tirou proveito dessas perdas. O Swansea ainda preza pela posse de bola, mas é uma equipe diferente, mais direta (tem, em média, 3% menos posse de bola do que na temporada passada) e eficiente.

A filosofia não muda (ainda que tenham particularidades, os ex-técnicos Roberto Martínez, Paulo Sousa e Brendan Rodgers fazem parte de um mesmo grupo), mas Laudrup fez ajustes cruciais. O time se defende melhor, sem vergonha de retrair suas linhas fora de casa e mais seguro após a chegada de Chico Flores, parceiro confiável para o ótimo Ashley Williams. O Swansea também é fatal quando contra-ataca. Ki é mais vertical do que Allen, Hernández é mais incisivo do que Sinclair, De Guzman é excelente na chamada “última bola”, e Michu não falha diante do gol.

O time da posse de bola aprendeu a jogar melhor sem ela. Não à toa, já ganhou nesta temporada em Anfield, Emirates e Stamford Bridge. Vitórias marcantes e merecidas para a gestão do presidente Huw Jenkins, uma aula de como administrar um clube, com conceitos definidos e sem excentricidades. O Swansea conquistou o acesso à primeira divisão há um ano e meio, quando venceu o Reading no play-off em Wembley. Agora pode voltar ao estádio para consolidar essa história de sucesso.

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012 QPR | 12:18

Cemitério inglês de elefantes

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Harry Redknapp chutou o balde. Uma semana depois da primeira vitória do Queens Park Rangers na temporada da Premier League, o técnico atacou a política salarial do clube e, indiretamente, a autoestima do elenco. Irritado pela derrota por 1 a 0 para o Newcastle, que manteve o QPR a cinco pontos da porta de saída da zona de rebaixamento, Redknapp afirmou publicamente que “há vários jogadores que ganham demais por sua capacidade e pelo que oferecem ao time”.

O bode expiatório é o lateral-direito Bosingwa. Multado por recusar a reserva na partida contra o Fulham, há uma semana, o português teve o salário ridicularizado e exposto por Redknapp: £65.000 semanais. É possível que o clima no vestiário fique insustentável, e a temporada, definitivamente comprometida. Por outro lado, a crítica é a oportunidade ideal para o QPR rever conceitos.

Cissé e Bosingwa podem cair abraçados

Bosingwa é o símbolo da fracassada política de atrair jogadores com carreiras consolidadas, longe do auge e sem espaço em seus clubes. O QPR é o lugar perfeito para eles, pois cede a todos os caprichos dos agentes, mantém (ou até melhora) o antigo padrão salarial e oferece a chance de atuar regularmente. Por que Júlio César, Bosingwa e Zamora escolheriam permanecer em Internazionale, Chelsea e Fulham? Não há razão.

O QPR não contrata por necessidade, mas por ocasião. O que explica o acordo com Júlio César um mês após a chegada de Robert Green? Mesmo antes de Tony Fernandes e Mark Hughes assumirem seus cargos, quando não se gastava tanto em Loftus Road, havia decisões estranhas. A contratação de Kieron Dyer, um ano atrás, foi uma delas. O meio-campista agonizava no departamento médico do West Ham, jogou apenas sete minutos pelo QPR na temporada passada e, sem qualquer justificativa, teve o vínculo renovado.

Além de Dyer, o elenco tem outros jogadores propensos a lesões – os chamados injury-prone –, como Andy Johnson, que pode não retornar em 2012-13, e Bobby Zamora, afastado pelo menos até fevereiro. Resultado? O único centroavante disponível é Djibril Cissé, ironicamente outro injury-prone. É curioso, embora não surpreendente, que Joe Cole, ganhando £90.000 semanais e quase sempre lesionado no Liverpool, seja especulado para o mercado de janeiro. Você sabe como é: há mais de uma década, Cole trabalhou com Redknapp no West Ham.

Enquanto isso, Wayne Routledge passa pela melhor fase da carreira no Swansea. Routledge foi emprestado pelo Newcastle ao QPR em 2011 e teve papel fundamental no acesso à primeira divisão, mas os Hoops decidiram não contratá-lo. Talvez o dinheiro já estivesse reservado ao salário de Dyer…

Aliás, é no Swansea, que subiu na mesma temporada e jamais passou sustos na Premier League, que Tony Fernandes deve se inspirar, especialmente pelas contratações que respeitam, acima de qualquer aspecto, as carências do time. Perderam Sigurdsson, Allen e Sinclair? Sem alarde, buscaram Michu, Ki e Pablo e mantiveram intacta a filosofia do clube.

O QPR até agregou qualidade ao elenco, mas criou um modelo de contratações por grife e salários inflacionados que favorece um ambiente de acomodação entre os jogadores. Redknapp sentiu que o choque era necessário para extrair mais do elenco. Resta saber como ele vai reagir.

*Feliz Natal a todos!

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012 Premier League | 14:47

Conclusões da rodada (XV)

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Veja aqui os resultados da 15ª rodada da Premier League (obviamente, ainda sem o Newcastle x Wigan de hoje). O blog repercute alguns pontos:

Número 3: em Anfield, apenas Gerrard e Suárez são mais idolatrados do que Lucas

Retorno de Lucas beneficia o time inteiro. Na vitória por 1 a 0 sobre o Southampton, enfim o Liverpool teve Lucas Leiva, que, por conta de duas graves lesões, havia atuado em apenas 71 minutos de Premier League neste ano. No sábado, ele suportou 87 minutos e, bem além dos oito desarmes e 88 passes certos (foi o melhor da partida nos dois quesitos), permitiu que outros jogadores atacassem mais do que o habitual. Allen, Gerrard, José Enrique e Johnson participaram bastante de um jogo que o Liverpool deveria ter vencido com mais conforto. Na Inglaterra, ninguém executa melhor do que Lucas a função Busquets, de proteger a defesa, iniciar as jogadas de ataque e liberar laterais e meias. Para quem simplesmente não se encontrava nas três primeiras temporadas no clube, é impressionante.

Rafael ainda não aprendeu a lição. A falha e a indolência durante a decisão dos Jogos Olímpicos deixaram uma péssima impressão de Rafael ao público brasileiro, especialmente à parcela que não acompanha o futebol inglês. Mas o lateral-direito reagiu rapidamente para fazer, por ora, sua melhor temporada no Manchester United. Há três dias, o zagueiro Jonny Evans o elogiou sem medo: “pode ser o melhor do mundo na posição”. No sábado, porém, Rafael lidou muito mal com a substituição ainda no primeiro tempo da partida contra o Reading. Após sofrer três gols, Alex Ferguson decidiu trocá-lo por Smalling para tornar a defesa mais alta, como ele mesmo justificou. Quando tentou cumprimentá-lo, o técnico escocês foi ignorado. Se realmente pretende tomar conta da lateral direita em Old Trafford, o ótimo brasileiro de 22 anos precisa associar seu jogo a certa dose de maturidade.

Big Sam de fato transformou o West Ham no antigo Bolton. A grande qualidade dos melhores times de Sam Allardyce é a exata noção do que fazer. Você pode acusá-lo de incentivar um tipo rústico de futebol, mas jamais de não ter um plano de jogo. Com a intensidade de Diamé, a velocidade de Jarvis e a força de Carlton Cole, o West Ham atropelou o Chelsea no segundo tempo do dérbi londrino de sábado. A atuação na vitória por 3 a 1 e a campanha que põe os Hammers na oitava posição lembram demais o antigo Bolton de Allardyce: futebol rústico, direto e muito competitivo, sobretudo em casa. Não à toa, estão em Upton Park Nolan, Taylor, O’Brien e Jaaskelainen, figuras daquele Bolton.

Swansea pode chegar à Europa. Não existe mais o Swansea que somou três derrotas consecutivas e patinou bastante entre a terceira e a nona rodada. O time de Michael Laudrup não perde há seis jogos e assumiu uma postura arrogante. Arrogante a ponto de controlar o jogo e finalizar mais do que o Arsenal no Emirates. Derrotar os Gunners em Londres é uma coisa; dominá-los, criar uma avalanche de oportunidades, como fez o Swansea, é outra, da qual poucos times ingleses são capazes. Se evitarem novas oscilações, Ki, Pablo, Michu e companhia são reais candidatos a uma vaga continental.

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quinta-feira, 1 de novembro de 2012 Swansea | 22:22

Laudrup assume o controle

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Os primeiros meses de Michael Laudrup no Swansea não foram definitivos para que ele conquistasse os torcedores. Com filosofia semelhante, mas elenco modificado em relação à temporada passada, os galeses têm derrapado na Premier League. Após um início empolgante, foram quatro derrotas, um empate e uma vitória a partir da quarta rodada. Não à toa, o triunfo por 3 a 1 sobre o Liverpool, que classificou o Swansea às quartas de final da Copa da Liga, deu fôlego ao trabalho de Laudrup.

Sem os lesionados Vorm e Taylor, a atual base do Swansea tem quatro espanhóis e quatro britânicos

Ontem, estavam do outro lado Brendan Rodgers e Joe Allen, essenciais na ascensão dos Swans nos últimos anos. É verdade que o Liverpool escalou dez reservas (ironicamente, Allen foi o único titular), mas teve Suárez, Gerrard e Sterling no segundo tempo. Embora não haja qualquer atrito entre os técnicos, derrotar seu antecessor foi especial para Laudrup, pois o novo Swansea já tem a assinatura dele. Até pela necessidade de trocar várias peças no elenco, o dinamarquês não é simplesmente um herdeiro de Rodgers.

Dos contratados por Laudrup, cinco são titulares habituais. Ele buscou quatro conhecidos do futebol espanhol – Michu, Pablo Hernández, De Guzman e Chico Flores – e ainda Ki Sung-Yueng, que estava no Celtic. As capturas repuseram as perdas de Allen, Sigurdsson e Sinclair e garantiram que o time pudesse manter o estilo pelo qual se notabilizou nos últimos anos. Sempre que possível, a ideia é controlar o jogo, não oferecer a bola ao adversário.

Contra um Liverpool enfraquecido, mesmo em Anfield, o Swansea teve 58% de posse de bola. No entanto, Laudrup não é tão purista quanto Rodgers. O meio-campo do Swansea tem dois excelentes passadores em Britton (chamado de Xavi inglês em 2011-12, quando teve o melhor aproveitamento de passes na liga) e Ki, mas procura a transição rápida quando encontra espaço. Ontem, os gols marcados por Dyer e De Guzman foram construídos em contra-ataques.

Aparentemente, Laudrup prepara outra mudança relevante em relação a 2011-12. Nas últimas três partidas, Danny Graham, titular absoluto de Rodgers, foi barrado. Michu, que iniciou a temporada como meia central no 4-2-3-1, passou a ser o centroavante. Faz sentido. Graham não repete o desempenho da temporada passada, e Michu é plenamente capaz de ser o principal finalizador da equipe – em 11 jogos, marcou sete gols pelo Swansea. Assim, Laudrup oferece mobilidade ao setor ofensivo, que ainda tem Routledge na melhor fase da carreira e Pablo melhorando a cada rodada.

Associando o tiki-taka de Rodgers ao estilo mais agressivo de Laudrup, o Swansea pode repetir, por exemplo, o 11º lugar de sua primeira temporada na elite, posição que ocupa atualmente. Entretanto, a liga vai cobrar consistência, mais atuações precisas como a de ontem e menos como a do empate em casa com o Reading, há quatro semanas. No sábado, o Swansea recebe o Chelsea. O jogo promete.

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domingo, 26 de agosto de 2012 Premier League | 22:41

Conclusões da rodada (II)

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Considerações sobre a segunda rodada da Premier League:

Swanselona strike again. Durante a vitória por 3 a 0 sobre o West Ham, em Gales, o Swansea trocou 44 passes num período de quase três minutos ininterruptos. No encontro entre o time dos passes curtos e a equipe das bolas longas, os cisnes tiveram 62% de posse de bola. Na verdade, o Swansea de Michael Laudrup é um pouco mais direto que o de Brendan Rodgers, especialmente com o jogo vertical de Michu e dos wingers Dyer e Routledge, mas não perdeu sua essência. A campanha, de seis pontos e saldo de oito gols em apenas duas partidas, e as contratações bem executadas, de Chico, De Guzmán, Michu e Sung-Yueng, indicam que a temporada será novamente positiva.

Rooney lesionado. E daí? Os reforços Kagawa e van Persie foram determinantes para a vitória do Manchester United por 3 a 2 sobre o Fulham e também para garantir a noite de sono de Alex Ferguson. A lesão de Rooney, que ficará afastado durante dois meses, não tem o impacto que teria há um ano, quando o número 10 representava quase toda a força ofensiva do United. A Ferguson, basta manter o 4-2-1-3, com Kagawa trabalhando à frente dos volantes, dois wingers clássicos (Valencia e Ashley Young, por exemplo) e van Persie como centroavante. O time mal sente a ausência de Rooney.

Aston Villa 1 x 3 Everton. Se não agir na última semana de mercado, Paul Lambert vai sofrer um bocado em sua primeira temporada no Aston Villa. O elenco carece de talento e conta demais com a turma da base – ontem, foram cinco entre os titulares: Baker, Clark, Herd, Bannan e Delfouneso. E ainda há Albrighton e Weimann com papéis importantes. Isso não é necessariamente ruim e até mostra que o Villa tem uma ótima academia, mas está claro que Lambert precisa aumentar as médias de idade e qualidade da equipe. No Everton, tudo certo, com Baines, Osman, Pienaar, Fellaini e Jelavic no controle, assim como no grande segundo turno de 2011-12. Finalmente, David Moyes começa bem.

Hazard assistiu o gol de Torres contra o Newcastle

El Niño: agora ou nunca. Fernando Torres iniciou a temporada em ritmo razoável. Marcou pela segunda vez ontem, contra o Newcastle, depois de arrancar um pênalti muito bem cobrado por Hazard. Aliás, Hazard é o parceiro ideal para o centroavante espanhol. Craque do campeonato até agora, o belga cria situações de gol com naturalidade impressionante. No 4-2-3-1 de Di Matteo, Hazard sempre estará lá, ora ao lado de Mata, ora ao lado de Oscar (e Ramires, provavelmente aberto à direita). No mínimo, haverá dois meias criativos para abastecer o atacante em todas as partidas. Desta vez, Torres não pode falhar.

Tudo tem um preço. Brendan Rodgers afirma que os jogadores do Liverpool precisam ser corajosos quando têm a bola, para mantê-la ao invés de entregá-la ao adversário. Hoje, a coragem custou a vitória sobre o Manchester City, que empatou por 2 a 2 em Anfield por conta de dois erros grosseiros da defesa vermelha. No segundo, Skrtel decidiu não se livrar da bola, tentou recuar para Reina e viu seu passe ser interceptado por Tevez, que marcou o gol com facilidade. Por outro lado, a atuação do Liverpool contra os campeões mostra evolução e um meio-campo promissor, com Allen e Sahin (deve estrear contra o Arsenal) prontos para controlar jogos. Rodgers ainda precisa de um jogador capaz de marcar gols regularmente (Dempsey?) e adaptar a defesa a esse estilo que não admite – ou minimiza – os chutões.

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sexta-feira, 1 de junho de 2012 Liverpool, Swansea | 08:49

Vale o risco

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Brendan Rodgers é o treinador do Liverpool. A negociação com Roberto Martínez não foi adiante, mas o perfil procurado pelo Fenway Sports Group (FSG), que controla o clube, ficou intacto: um técnico jovem, de mentalidade ofensiva e, na visão deles, capaz de realizar um trabalho em longo prazo para reestruturar o futebol e a filosofia em Anfield. Naturalmente, grande parcela de torcedores e analistas considera o norte-irlandês inexperiente demais para suportar a pressão inerente ao cargo.

Inexperiente, ele é mesmo. São apenas três trabalhos – dois deles curtos e inexpressivos – e 151 jogos como treinador. No entanto, a visão sobre Rodgers é distorcida quando alguém diz que os méritos dele foram, pura e simplesmente, levar o Swansea à primeira divisão e mantê-lo por lá. O também competente Paul Lambert atingiu os mesmos objetivos com o Norwich e não foi sequer cogitado. Tony Pulis converteu o Stoke num sólido time de elite, e ninguém quis levar o princípio das bolas longas a Anfield. Nesse caso, o mais importante não foi o que Rodgers fez, mas como fez.

Antes do Swansea 2011-12, ninguém acreditava que, sem um investidor poderoso, um clube recém-promovido poderia dominar partidas contra qualquer adversário. O caso dos galeses não tem precedente na Premier League. A média de 56% de posse de bola e o aproveitamento de 85% nos passes, o mesmo de Chelsea e Manchester City, dizem muito a respeito do impacto de Rodgers, que transformou até o goleiro (Michel Vorm) em peça fundamental quando a equipe tem a bola. A 11ª colocação foi ótima, mas secundária diante da postura controladora adotada durante toda a temporada. Vale registrar que o Swansea saiu aplaudido de… Anfield.

Influenciado por Johan Cruyff e José Mourinho, com quem trabalhou no Chelsea e de quem sempre recebeu elogios, Rodgers trata seus princípios como uma religião. Em entrevista ao site do Liverpool, ele os descreve como “ser criativo e ofensivo, mas também taticamente disciplinado” – o Swansea teve 14 clean sheets na temporada. Ao Guardian, metodicamente, afirma que “controlar a partida lhe dá 79% de chance de vencê-la”. O reajuste do elenco a esse método e o tempo suficiente para implementá-lo (que, custe o que custar, Rodgers precisa ter) devem criar um Liverpool mais eficiente e agradável aos olhos. Em relação à oitava posição de 2011-12, há muito a melhorar e pouco a perder.

Brendan Rodgers, ex-treinador do "Swanselona"

O Liverpool não poderia atrair um José Mourinho e nada ganharia com um Fabio Capello (que foi especulado) ou qualquer outro treinador que não assumisse compromisso com o futuro. O momento exige reconstrução, paciência e certeza do que precisa ser feito. Em Rodgers, o clube aposta num estilo e num potencial que encantaram a Premier League.

Os proprietários americanos não estão interessados em mais do mesmo. Nesse caso, pouco importa quem o britânico treinou. Mais relevantes são a visão sobre o jogo e a capacidade comprovada de fazê-la funcionar, mesmo com recursos escassos, na elite do futebol inglês. Se ele suportará a pressão, ninguém pode saber. Mas vale o risco.

*A coluna não esqueceu os outros clubes. Em breve, a movimentação do Chelsea no mercado será destaque.

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quinta-feira, 22 de março de 2012 Treinadores | 16:03

Professores

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Rodgers, que já passou pela base do Chelsea, não pretende “destruir sua carreira” em Stamford Bridge

A 29ª rodada da Premier League, que começou no sábado e terminou ontem*, certamente será lembrada pela goleada do Manchester United sobre o Wolverhampton e a virada do Manchester City contra o Chelsea. Mas houve, entre tantos outros, dois destaques ainda mais especiais: o segundo triunfo consecutivo do Blackburn, por 2 a 0 em cima do Sunderland, e a grande vitória do Swansea por 3 a 0 sobre o Fulham em Craven Cottage.

Com o desempenho recente de seus clubes, Steve Kean, do Blackburn, e Brendan Rodgers, do Swansea, invadem a discussão sobre quem é o técnico da temporada na Inglaterra. Por ter resistido a uma pressão sem precedentes dos torcedores do Blackburn, Kean virou xodó de boa parte da crítica. Os Rovers, que tinham todas as características de time que vai cair, venceram Wolverhampton e Sunderland nas últimas duas rodadas e abriram cinco pontos para a zona de rebaixamento.

Embora Kean mereça mesmo elogios, considerá-lo um dos melhores da temporada já é demais. O elenco do Blackburn foi muito mal planejado, mas tem figuras relevantes. Tanto que o expediente do treinador na recuperação da equipe é o mesmo de Joel Santana no Flamengo: fechar o time para melhorar os números defensivos e jogar toda a responsabilidade para as estrelas do ataque. Tem dado certo. A defesa não leva gol há dois jogos, e a dupla Yakubu (14 gols) e Hoilett (seis gols e seis assistências) tem sido decisiva. O grande mérito, além da resistência à pressão, é a reconstrução sem Samba, Phil Jones, Emerton, Nelsen e Andrews, turma que deixou os Rovers recentemente.

Muito mais impressionante do que ele é Brendan Rodgers. O Swansea sempre jogou bem durante a temporada, embora tenha demorado a acertar o ataque em casa e a defesa fora do Liberty Stadium. Mas o estilo que preza a posse de bola e a forma como o time conquistou seus 39 pontos e o oitavo lugar são ainda mais importantes. A equipe galesa, recém-promovida, é a segunda que mais acerta passes na elite: até agora, foram 13251, apenas 147 a menos que o líder no quesito, Manchester City. Contra o Fulham, foi um show de Joe Allen (olho nele) e Sigurdsson (emprestado pelo Hoffenheim e em fase iluminada) no meio-campo.

Na linha de fazer muito com pouco, Paul Lambert, do Norwich, também merece lugar no debate. Martin O’Neill é impressionante por levar o Sunderland da luta contra o rebaixamento à primeira metade da tabela. Arsène Wenger, por colocar na terceira posição um Arsenal destroçado no início da temporada. E, claro, ainda tem o técnico campeão. Alex Ferguson e Roberto Mancini falharam em todas as outras competições, mas as campanhas no campeonato são elogiáveis mesmo com os recursos à disposição.

Voto do colunista (até a 29ª rodada, pelo menos): Brendan Rodgers.

*Aston Villa x Bolton foi adiado.

Veja a classificação da Premier League.

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sexta-feira, 16 de março de 2012 Fulham, Swansea | 19:02

Fulham e Swansea

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Os fãs do futebol inglês sabem que o charme da Premier League não se resume a grandes clássicos. Partidas que não entram na grade de programação da TV brasileira também podem reservar algo especial para quem as acompanha. Amanhã, o carismático Craven Cottage deve receber uma delas. Fulham e Swansea se enfrentam ao meio-dia de Brasília e têm ótimos argumentos para fazerem um jogo bem interessante.

Apesar de ser contestado por uma numerosa ala de torcedores do Fulham, Martin Jol tem, no mínimo, boas intenções. Nas últimas quatro rodadas da Premier League, nas quais os Cottagers acumularam três vitórias, o técnico holandês foi bastante ousado. O habitualmente titular Dickson Etuhu virou reserva, e o capitão Danny Murphy, de toque refinado, tornou-se o maior responsável pela marcação no meio-campo.

Prévia do Guardian: os queridinhos Pogrebnyak e Sigurdsson frente a frente

Por conta da versatilidade do belga Moussa Dembele, cobiçado por Arsenal, Tottenham e Liverpool para o próximo mercado, Jol tem conseguido reunir Murphy, Dempsey, Duff (ou Bryan Ruíz), Andy Johnson, Pogrebnyak e o próprio Dembele na mesma escalação. O Fulham, que há um tempo agonizava com peças estáticas em campo, ao menos agora tenta priorizar a abundância de jogadores capazes do meio para frente.

Contra um Swansea que sempre tenta trocar passes curtos para envolver o adversário, a prévia do Guardian (figura ao lado; sem Johnson e com Ruíz no time) faz muito sentido ao apontar um meio-campo congestionado por opções de ótima qualidade. Ainda assim, em Craven Cottage, a equipe galesa enfrenta o grande desafio de manter o estilo que lhe rendeu a alcunha de Swanselona sem permitir que o forte arsenal ofensivo do Fulham, com um Dempsey e um Pogrebnyak letais na frente do gol, atue à vontade. O inquestionável zagueiro Ashley Williams, como sempre, será fundamental.

Mesmo com problemas para repetir em outros estádios as exibições do Liberty Stadium, o Swansea mostrou contra o Manchester City, na rodada passada, que não precisa temer ninguém. A agressividade do islandês Sigurdsson num meio-campo que trata tão bem a bola foi a cereja no bolo do técnico Brendan Rodgers, e os cisnes têm alguma chance amanhã. No primeiro turno, em Gales, o Swansea venceu bem, por 2 a 0.

Confira a classificação da Premier League.

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quarta-feira, 7 de março de 2012 Listas | 20:39

Linsanity

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O New York Knicks, da NBA, melhorou seu rendimento porque encontrou no ex-reserva Jeremy Lin as respostas para sua falta de inspiração. Lin, que há algumas semanas liderou os Knicks em sete vitórias consecutivas, foi uma solução caseira e improvável. A Premier League segue o exemplo e também tem seus heróis alternativos, responsáveis principais pelo sucesso recente de suas equipes:

Pavel Pogrebnyak no Fulham. O atacante em má fase na Bundesliga que o Fulham queria era Lucas Barrios, do Dortmund, porém não houve acordo. Pogrebnyak, então, emergiu como substituto de última hora para Bobby Zamora, brigado com Martin Jol e negociado com o QPR. Mal no Stuttgart, o russo fechou contrato por seis meses e já tem incríveis cinco gols em três jogos pelo Fulham. Está certo que a chegada dele coincidiu com o melhor momento coletivo dos Cottagers, mas o impacto do novo atacante foi fundamental para os 100% de aproveitamento nas últimas três rodadas e o atual oitavo lugar.

Gylfi Sigurdsson, nome de craque

Gylfi Sigurdsson no Swansea. Sigurdsson é um meia magrelo e islandês, ou seja, o estereótipo perfeito para alguém sentenciar que ele “não joga nada”. Gylfi arrebentou nos tempos de Reading e começou muito bem na Alemanha pelo Hoffenheim. Como estava mal em 2011-12, era a contratação óbvia para qualquer time médio da Inglaterra. O Swansea foi mais esperto, garantiu o empréstimo em janeiro e já lucrou três golaços e três assistências nos sete jogos dele, que virou o complemento perfeito para Joe Allen, Scott Sinclair e Nathan Dyer no meio-campo dos cisnes. É a prova definitiva de que a Islândia vai além de Gudjohnsen e do vulcão Eyjafjallajoekull.

James McClean no Sunderland. Ele já foi analisado por aqui.

Peter Odemwingie no West Brom. Odemwingie, de quem ninguém esperava muito antes da temporada passada, é uma das contratações mais sagazes da história da Premier League, um achado por 1 milhão de libras. Em 2011-12, porém, ele havia desaparecido e virado até coadjuvante de Shane Long nas primeiras rodadas. O desempenho no ano de estreia parecia um ponto fora da curva, mas ele reagiu recentemente com cinco gols nos últimos três jogos. Tem tudo a ver com a melhora do WBA, que chegou à primeira metade da tabela.

Alex Chamberlain no Arsenal. Deu certo antes do previsto e se converteu numa promessa e tanto para o futebol inglês. Ontem, fora de posição, foi a novidade que permitiu ao Arsenal quase eliminar um Milan que parecia estar vários níveis acima. Depois do caminhão de gols de van Persie, Chamberlain é a melhor historia dos Gunners na temporada. Cabe a Arsène Wenger dar espaço para ele continuar evoluindo e utilizá-lo com frequência entre os titulares.

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