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segunda-feira, 13 de maio de 2013 Wigan | 14:58

Copo meio cheio

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Na Premier League, a semana do Wigan foi bem negativa. De uma inesperada derrota para o Swansea na terça-feira a uma combinação de resultados que garantiu a permanência na elite a Norwich, Newcastle, Southampton e Fulham, a possibilidade de rebaixamento cresceu bastante. O Wigan ainda depende dos próprios resultados para sustentar o rótulo de incaível, mas precisa vencer o Arsenal amanhã no Emirates (aconteceu na arrancada espetacular da temporada passada) para levar a decisão ao confronto direto com o Aston Villa, na última rodada.

Ainda assim, foi ironicamente a melhor semana da história dos Latics. A inédita conquista da FA Cup, acompanhada de uma categórica vitória por 1 a 0 sobre o Manchester City no sábado, é inesquecível. Além da discrepância entre os níveis de investimento, o City não tinha problemas no elenco – enquanto Roberto Martínez não contava com três titulares – nem desgaste mental comparável ao de um Wigan que perdeu toda a margem de erro a que tinha direito para permanecer na Premier League.

Implacável pelos lados, o 3-4-3 de Martínez aprontou de novo

Os Latics, que tiveram expressivos 48% de posse de bola e finalizaram 14 vezes, mereceram vencer. Martínez foi criativo para superar os desfalques na defesa, anulou os pontos fortes do City (muito mais ligados à qualidade individual do que à estratégia mal-acabada de Roberto Mancini) e não estacionou o ônibus. Ao contrário, decidiu que a melhor maneira de manter o adversário distante de seu gol era brigar pelo controle do jogo em vez de entregá-lo ao Manchester City.

Titular da ala direita durante a temporada, Boyce foi um dos três zagueiros, ao lado de Alcaraz e Scharner, que ocupou o espaço do lesionado Figueroa. Como o reserva de Boyce na ala, Stam, está fora da temporada, Martínez improvisou no setor o volante McArthur, que protegeu o corredor e deixou ao abusado McManaman a tarefa de atacar Clichy. À esquerda, no lugar do também lesionado Beausejour, o treinador espanhol escalou Espinoza, fundamental para oferecer profundidade com Maloney deslocado à faixa central para criar jogadas.

Enquanto o City agonizava, os Latics exploravam o ataque pelas pontas e só não venceram com facilidade por conta da desvantagem técnica em relação ao adversário, pois a execução da estratégia de Martínez se aproximou da perfeição. O Wigan, que costuma ser divertido para quem assiste, mas tem problemas sérios para se defender, desta vez foi preciso e contrariou o clássico roteiro das vitórias de times menores sobre gigantes, sem tantos milagres do goleiro Robles (que foi muito bem quando exigido) e ameaçando Hart em vários momentos.

Amigos para sempre

O Wigan não tem o direito de reclamar dos sorteios da FA Cup, que lhe reservaram apenas dois confrontos contra equipes da Premier League, mas as vitórias na decisão e nas quartas de final, por 3 a 0 sobre o Everton em Liverpool, não deixam dúvidas. O provável rebaixamento colocaria em xeque o futuro do clube, que pode perder Martínez e jogadores-chave (McManaman, McCarthy e os mais experientes Koné e Maloney têm mercado), mas não deve ser tratado como uma tragédia. É, na verdade, o caminho natural para quem investe tão pouco no elenco mesmo em relação a recém-promovidos, como West Ham e Southampton, que contratou Rodriguez e Ramírez no verão e competiu com o Liverpool por Philippe Coutinho em janeiro.

O proprietário Dave Whelan tem mais motivos para festejar. A conquista foi a realização de um sonho que parecia impossível, rendeu uma vaga na próxima Europa League e reforçou os laços entre ele e Martínez, que foi meio-campista do Wigan de Whelan entre 1995 e 2001 e retornou ao clube como treinador há quatro anos. Mesmo que o último capítulo dessa história seja o rebaixamento, que pode deixar o clube em situação difícil, às vezes é preciso valorizar mais as experiências do que o fluxo de caixa. E o que Martínez fez pelo Wigan não tem preço.

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segunda-feira, 18 de março de 2013 Debates | 20:27

O mito da tabela fácil

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“A tabela do (insira clube aqui) é fácil”. No quarto final da temporada, quando os objetivos das equipes já estão bem definidos, são comuns as projeções baseadas nos adversários até a última rodada. Entretanto, a Premier League costuma desmentir essas previsões quando elas consideram apenas a posição que o time ocupa. O Wigan de 2011-12 escapou do rebaixamento porque venceu sete das últimas nove partidas e frustrou, por exemplo, o Manchester United na luta pelo título.

A oito rodadas do fim do campeonato, está de volta a armadilha da “tabela fácil”. O Wigan de Roberto Martínez, embora seja o 18º colocado, é novamente um dos adversários mais traiçoeiros neste período da temporada. A estrutura do time é muito semelhante à que chocou a Inglaterra no ano passado, no 3-4-3. A maior diferença certamente é a presença de Arouna Koné em vez de Victor Moses. A equipe perdeu velocidade e disciplina tática no lado direito, mas ganhou poder de finalização. Koné marcou o gol da fundamental vitória de ontem sobre o Newcastle e traduziu o espírito destemido dos Latics: “eu não tinha chuteiras até os 12 anos, então não me preocupo com rebaixamento”.

Outro adversário perigoso nas rodadas finais é o 16º colocado Southampton, que derrotou o Liverpool por 3 a 1 no sábado. Foi incontestável o domínio dos Saints contra um dos melhores times de 2013 na Premier League. É preciso reconhecer que Mauricio Pochettino não quis inventar a roda e faz trabalho correto, mas o Southampton já jogava com essa intensidade nas últimas semanas de Nigel Adkins no clube. O 4-2-3-1, com Rodriguez, Ramírez e Lallana no suporte a Lambert, tem sido capaz de pressionar e obter ótimos resultados contra equipes poderosas. A também categórica vitória por 3 a 1 sobre o Manchester City, há pouco mais de um mês, é outro exemplo de atuação dominante.

Berbatov tem a aparência e a autoconfiança de Sheldon Cooper, de "The Big Bang Theory"

Na chamada “tabela de forma” da Premier League, para a qual contam os seis resultados mais recentes, o Fulham está na quarta posição. Apático em outros momentos da temporada, o time de Martin Jol enfim compensa as perdas no meio-campo (Murphy, Dembele e Dempsey, que também jogava avançado) com solidez defensiva e precisão no ataque. O desempenho na vitória por 1 a 0 sobre o Tottenham no norte de Londres resumiu o Fulham de 2013: parou Bale e matou o jogo com Berbatov, que marcou em três partidas consecutivas e ajudou a levar os Cottagers à décima posição.

Ao contrário do que sugere a tabela, o adversário mais simples que alguém pode enfrentar não é o Queens Park Rangers, ainda na lanterna da liga. Tem sido bem pior o nível apresentado pelo Sunderland, provavelmente a grande decepção do ano por conta da alta expectativa sobre a primeira temporada completa de Martin O’Neill no clube. A formação com Adam Johnson, Sessegnon, Graham e Fletcher é incrivelmente travada – contra o Norwich, foram 60 minutos com um jogador a mais para marcar apenas um gol, de pênalti, e não sair do empate em casa. Com quatro derrotas e dois empates nas últimas seis rodadas, o Sunderland está em 15º, mas é o pior time da liga exatamente agora.

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012 West Bromwich, Wigan | 22:20

A mágica de Martínez

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Martínez esteve no radar do Liverpool, mas o Wigan ganhou outra temporada com o espanhol

Contratado por £9 milhões há menos de três meses, Victor Moses já retribui o investimento do Chelsea. O nigeriano de 22 anos marcou gols em todas as competições possíveis e ganhou de Roberto Di Matteo o status de 12º titular, a quem o treinador recorre em situações críticas. Ontem, na partida decisiva contra o Shakhtar pela Champions League, entrou e decidiu. Moses conquista espaço no Chelsea, mas deixou uma lacuna em seu antigo clube, o Wigan. Pelo poder de desestabilizar defesas, destacava-se demais numa equipe que carecia de talento. A pergunta era inevitável: o Wigan sobreviveria sem ele?

O Wigan sobrevive, assim como se manteve na Premier League na temporada passada, mesmo após a venda de Charles N’Zogbia (uma espécie de antecessor de Moses) ao Aston Villa. Das últimas nove partidas de 2011-12, os Latics venceram sete. A épica arrancada que evitou o rebaixamento pode ser creditada à conversão a um 3-4-3 que oferecia mais segurança, variações e capacidade de controlar jogos. A ideia paliativa do técnico Roberto Martínez virou solução permanente, e o Wigan segue atuando, em alto nível, do mesmo modo.

Os Latics estão na 13ª posição no campeonato, seis pontos acima da zona de rebaixamento. Na rodada passada, o Wigan venceu merecidamente o Tottenham por 1 a 0 em White Hart Lane, estádio onde foi goleado por incríveis 9 a 1 há três anos. Desde então, o time cambaleou, permaneceu na elite sem que ninguém compreendesse. “O Wigan é ‘incaível’”, dizem. Mas o trabalho de Martínez amadureceu, de forma que a perda de peças importantes como N’Zogbia, Rodallega e Moses não afetasse tanto o coletivo, o que permite o surgimento de outros destaques. O atacante Franco Di Santo, por exemplo, foi convocado à seleção argentina.

Em 12-13, a grande virtude de Martínez é manter o embalo da temporada anterior. Ele costumava dizer que o Wigan demorava a reagir no campeonato por conta das mudanças de um ano para outro, que exigiam tempo para encontrar a melhor formação, as melhores parcerias entre os jogadores. No entanto, a atual equipe tem apenas duas alterações em relação àquela que derrotou Manchester United, Arsenal, Liverpool e Newcastle nas rodadas finais de 11-12: o zagueiro Ivan Ramis e o artilheiro Arouna Koné, destaque do Levante, sexto colocado de La Liga na temporada passada. A pré-temporada desta vez serviu para aprimorar, não para criar um novo time. Não à toa, o começo é bom.

Com seu orçamento para lá de limitado (a formação titular, sem jogadores da base, foi montada com cerca de £20 milhões), o Wigan impressiona ainda mais este ano, pois o nível de exigência do campeonato subiu. E não tem essa de “estacionar o ônibus”. O time é agradável, baseia-se em troca de passes e movimentação intensa de jogadores versáteis, como Figueroa, Beausejour e Maloney, que podem executar mais de uma função no mesmo jogo e permitem até uma mudança de sistema sem que as peças sejam trocadas. Os Latics têm a sétima maior média de posse de bola (54%) da liga. Martínez faz novamente um trabalho brilhante, para derrubar previsões.

Possíveis formações de Wigan e WBA

Duelo de técnicos e estilos
No sábado, o West Bromwich visitará o Wigan no DW Stadium. O WBA é o quinto colocado do campeonato com 17 pontos e também supera expectativas. No entanto, a concepção de jogo é bem diferente. O West Brom tem apenas a 15ª média de posse de bola do campeonato, 44%. O foco está na solidez defensiva e na eficiência dos contra-ataques. A defesa dos Baggies foi vazada apenas 11 vezes, menos do que as de Manchester United, Everton e Tottenham. Steve Clarke, que foi ótimo auxiliar técnico em Chelsea, West Ham e Liverpool, prova que pode ter sucesso como número 1.

Apesar das virtudes coletivas, um fator fundamental tem sido a excelente parceria de volantes entre o congolês Mulumbu e o argentino Yacob, um achado do mercado de transferências. Os atacantes Long e Odemwingie (mesmo atuando aberto pela direita) também são armas importantes. Pelas boas campanhas e o contraste entre estilos, o Wigan x WBA de sábado tende a ser uma das partidas mais interessantes da próxima rodada.

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sexta-feira, 10 de agosto de 2012 Norwich, Reading, Southampton, Wigan | 15:40

Guia da temporada (parte 1)

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Roberto Martínez: pronto para mais um milagre?

Faltam apenas oito dias para o início da Premier League 2012-13, razão pela qual a coluna publica a primeira parte do guia da temporada. As previsões não são científicas, mas baseadas em impressões. Começamos com Norwich, Wigan, Reading e Southampton:

Norwich. Chris Hughton, novo treinador dos Canaries, pretende provar que o clube pode sobreviver sem Paul Lambert, responsável por tirar o Norwich da terceira divisão e levá-lo até a 12ª posição da primeira. Lambert montou quase todo o elenco e conhece profundamente suas limitações e virtudes. Hughton tem o compromisso de alterar o mínimo possível em relação à temporada passada, manter o artilheiro Holt satisfeito e fazer o time evoluir gradativamente. Seu principal reforço é Snodgrass, ex-meia do Leeds United. Snod, que era ídolo em Elland Road, pode aproveitar o entrosamento de longa data com Howson, seu companheiro durante quase quatro anos em Leeds. Previsão para a temporada: 20º.

Wigan. Os Latics assombraram a Inglaterra com uma sequência de ótimos resultados e atuações na reta final da temporada passada, porém o cenário não é exatamente animador. O Wigan ainda não perdeu titulares no mercado, mas Diamé e Rodallega, contratados por West Ham e Fulham, eram nomes relevantes no grupo. Moses, jogador mais valioso do elenco, também pode sair. A boa notícia é a permanência de Roberto Martínez, que flertava com Liverpool e Tottenham há algumas semanas. No entanto, a quarta temporada do técnico espanhol no DW Stadium deve ser a mais difícil. Embora não seja prudente apostar contra o Wigan, a equipe terá de trabalhar muito para não sucumbir à maior competitividade de 2012-13. Previsão para a temporada: 19º.

Reading. O campeão da segunda divisão adotou um modelo sagaz de contratações, gastando pouco nas transferências e muito nos salários. Guthrie e Pogrebnyak são os principais reforços, mas é preciso destacar também o fortalecimento da defesa. Shorey (que retorna ao Reading), Mariappa e Gunter (nomes confiáveis na Championship que merecem a chance na Premier League) oferecem segurança e profundidade. De qualquer maneira, para escapar do rebaixamento, o Reading depende demais da consistência do trabalho de Brian McDermott, que soube administrar o elenco mesmo nos momentos em que o clube arrecadava bem mais em vendas do que investia em compras. O time, porém, tem enfrentado muitos problemas nos amistosos. Previsão para a temporada: 18º.

Southampton. O desempenho dos Saints beirou a perfeição no último biênio, com dois acessos diretos consecutivos. A administração segura do proprietário Nicola Cortese e o trabalho irretocável do técnico Nigel Adkins dão confiança para enfrentar a Premier League, assim como fez o Norwich na temporada passada. A grande expectativa fica em torno do desempenho de nomes como Adam Lallana, Rickie Lambert e o brasileiro Guly do Prado, que foram dominantes em divisões inferiores e agora precisam competir em outro nível. Eles têm o apoio de Steven Davis e Jay Rodriguez, dois ótimos reforços. Previsão para a temporada: 17º.

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domingo, 27 de maio de 2012 Liverpool, Wigan | 11:19

Para entender o interesse em Martínez

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Martínez e Henry passeiam por Miami. Houve questionamentos à autenticidade da foto

O proprietário do Wigan, Dave Whelan, tem sido a fonte mais importante da imprensa esportiva inglesa. Atual empregador de Roberto Martínez, hoje favorito para assumir o comando técnico do Liverpool, Whelan afirma que o pentacampeão europeu já fez uma proposta formal ao espanhol. A informação mais precisa é de que o mandachuva do Fenway Sports Group (FSG, grupo que controla o Liverpool), John Henry, e Martínez de fato se encontraram em Miami na quinta-feira para a primeira rodada de negociações.

A receptividade a Martínez é ruim. Em redes sociais, torcedores se dizem contrários à escolha do ainda técnico do Wigan para substituir Kenny Dalglish. Eles alegam que contratá-lo é “pensar pequeno”. Em três anos de Premier League, a única ambição com a qual Martínez teve de lidar foi escapar do rebaixamento. No Liverpool, ainda que o clube precise remar bastante para competir entre os melhores, a exigência mínima será o quarto lugar, com vaga na Champions League.

Se acertar com o Liverpool, Martínez até pode se intimidar diante do enorme salto na carreira e fracassar. É claro que pode. Entretanto, a postura dos torcedores que o rejeitam não é compatível com o momento do clube e parece ignorar as qualidades do treinador do Wigan. Não é mistério que o FSG quer um técnico jovem, talentoso e com mentalidade ofensiva para fazer um trabalho de longo prazo. Aí entra Martínez (38), que, em cinco anos de carreira, cumpriu todos os seus objetivos e o fez com estilo.

O atual Swansea, que surpreendeu a Premier League em 2011-12 com um fantástico trabalho de Brendan Rodgers, teve influência de Martínez, responsável por reconduzir os galeses à segunda divisão após 24 anos e pela imposição de uma cultura de futebol bem jogado enquanto esteve lá, de 2007 a 2009. No Wigan, são três temporadas cumprindo a tarefa de manter na elite um time que sempre inicia o campeonato entre os prováveis rebaixados.

Há um ano, o espanhol recusou proposta do Aston Villa porque queria cumprir um ciclo de três anos no DW Stadium. O que parecia um erro se revelou um grande acerto, pois 2011-12 foi a temporada mais brilhante de Martínez. Com uma equipe titular que, mesmo sem jogadores formados no clube, custou apenas £21 milhões, ele venceu sete das últimas nove partidas da Premier League. Liverpool, United, Arsenal e Newcastle perderam para um Wigan que controlava jogos e criava várias chances.

Com esta formação, o Wigan conquistou 27 pontos em 42 possíveis. Antes dela, foram 16 em 72 possíveis.

A questão é: como Martínez transformou o time mais frágil da liga na sensação da reta final da temporada? Para atacar com muita gente sem desproteger a defesa, o Wigan adotou um 3-4-3 capaz de confundir e dominar adversários. Martínez tanto pretendia implantar o esquema, que buscou o chileno Jean Beausejour em janeiro para ganhar uma peça capaz de defender e atacar com intensidade pelo lado esquerdo.

No 3-4-3 original, Maynor Figueroa é zagueiro, Emmerson Boyce e Beausejour são alas, e Shaun Maloney ocupa o lado esquerdo. Com uma simples movimentação (veja ao lado), sem que ninguém fique desconfortável na nova posição, Figueroa e Boyce viram laterais, Beausejour avança com liberdade, e Maloney centraliza para criar jogadas numa espécie de 4-2-3-1. Na teoria, ótimo. Na prática, ainda melhor.

Martínez foi jogador de Swansea e Wigan e ainda não trabalhou como treinador num ambiente que fosse estranho para ele. No Liverpool, a pressão da torcida e a obrigação imediata de sucesso seriam um desafio e tanto. Contudo, a grande habilidade tática e a boa relação com seus grupos mostram que Roberto Martinez merece uma chance de subir. Pode não ser em Anfield, onde ele teria de trabalhar sob um diretor esportivo (Louis van Gaal é candidato a assumir a função), mas será em algum lugar. Respostas devem aparecer na próxima terça-feira.

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quinta-feira, 12 de abril de 2012 Wigan | 09:20

Leite em pedra

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Um breve levantamento sobre os titulares do Wigan que venceram o Manchester United por 1 a 0 explica por que os Latics são o time mais limitado da Premier League. As categorias de base vão mal e não cederam sequer um jogador à escalação de Roberto Martínez. Dave Whelan, o simpático proprietário do Wigan, teve de pôr a mão no bolso para contratar todos os 11. Mas não gastou muito, não. O mais caro deles foi o goleiro omaniano e pegador de pênaltis Ali Al-Habsi. Veja quanto e a quem o clube pagou por seus titulares:

McCarthy e McArthur, a dupla dinâmica do escocês Hamilton Academical

Ali Al-Habsi – £4 milhões ao Bolton
Emmerson Boyce – £1 milhão ao Crystal Palace
Gary Caldwell – £2 milhões ao Celtic
Antolín Alcaraz – £3 milhões ao Club Brugge
Maynor Figueroa – £1,5 milhão ao Olimpia hondurenho
Jean Beausejour – £2,5 milhões ao Birmingham
James McArthur – £500 mil ao Hamilton Academical
James McCarthy – £1 milhão ao Hamilton Academical
Victor Moses – £2,5 milhões ao Crystal Palace
Franco Di Santo – £2 milhões ao Chelsea
Shaun Maloney – £1 milhão ao Celtic

Sim, o Wigan investiu apenas £21 milhões no time titular, irrisórios para quem está há sete anos na Premier League. Por exemplo, só a venda de Antonio Valencia, que defendeu o Manchester United contra seu ex-time, rendeu £16 milhões aos cofres de Dave Whelan em 2009. Charles N’Zogbia, o melhor jogador do Wigan na temporada passada, foi para o Aston Villa por £9,5 milhões. O investimento é decrescente e, embora tenha capturado alguns bons valores, como Victor Moses, não tem o olho clínico de um Graham Carr, observador do Newcastle.

O Wigan é mais frágil a cada temporada. Nesta, é teoricamente a pior equipe da Premier League. Não na prática. Nas últimas rodadas, o Wigan é seguro, pressiona o adversário com e sem a bola, cria incontáveis chances de gol e consegue resultados ilógicos. As vitórias sobre Liverpool e Manchester United levaram os Latics a um cenário que realmente parecia impossível: o time fora da zona de rebaixamento. A queda é factível, mas a campanha já é para lá de surpreendente num ano em que os três recém-promovidos podem escapar – apenas o QPR ainda tem essa preocupação.

O milagreiro
Roberto Martínez deve ser bom mesmo. Sabe o Swansea de Brendan Rodgers? Foi Martínez quem iniciou o trabalho de longo prazo no Liberty Stadium, em 2007. Sabe este Wigan? Está na Premier League porque ele extrai tudo do time. O treinador espanhol, de 38 anos, é outro a entrar naquela discussão sobre o melhor da temporada. No verão passado, ele foi fiel a seu contrato, que termina no fim desta temporada, e recusou o Aston Villa. Agora, mercado é o que não vai faltar.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Blackburn, Bolton, QPR, Wigan, Wolves | 13:53

Os desesperados

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Steve Kean resume sua temporada

A classificação da Premier League é muito clara. A menos que um time como Aston Villa ou West Bromwich caia vertiginosamente pela tabela, a luta contra o rebaixamento está restrita a cinco clubes:

Os emergentes do Loftus Road. O Queens Park Rangers tem dinheiro, um bom técnico (sim, Mark Hughes é bom) e agora tem até um ataque decente, com Zamora e o precoce Djibril Cissé, que marcou na estreia e foi expulso no segundo jogo. Os outros setores, porém, não são consistentes. A defesa ganhou Onuoha e Taiwo em janeiro, mas ainda agoniza. Sem o argentino Faurlín até o fim da temporada, Hughes tem de quebrar a cabeça para acertar o meio-campo. Mesmo assim, as eventuais boas atuações de Barton, Wright-Phillips e dos atacantes devem salvar os Hoops.

Os hindus do Ewood Park. É incrível que o Blackburn esteja fora da zona de rebaixamento. Proprietários (indianos) trapalhões e omissos, torcedores pedindo a cabeça do técnico e contratações pífias compõem a mistura dos Rovers em 2011-12. Os destaques individuais, ao menos, decidem alguns jogos. E não são apenas Yakubu, o homem dos gols, e Hoilett, o garoto da correria. O volante N’Zonzi e a dupla titular de zagueiros (Dann e, quando disposto, Samba) são boas compensações à bagunça que ainda deve derrubar o time.

Os impacientes do Molineux. Mick McCarthy pode ser medíocre, mas salvar time do rebaixamento, ele sabe. Foi assim com os Wolves nas últimas duas temporadas, aliás. Por isso, a recente demissão de MM é um flerte promissor com a segunda divisão. Para escapar, o ainda desconhecido substituto (pode ser Steve Bruce, que atrasou a vida do Sunderland) precisa arrumar uma defesa que, mesmo sob a liderança de Roger Johnson, sofreu 12 gols nos últimos quatro jogos e tirar o melhor de Steven Fletcher, o artilheiro e grande jogador da equipe na temporada. Não será fácil.

Os periclitantes do Reebok Stadium. Em sequência, o Bolton venceu o Liverpool, eliminou o Swansea da FA Cup with Budweiser (é o nome oficial do torneio mesmo) e empatou com o Arsenal. E aí? Quando parecia estar em evolução, o time, já sem Gary Cahill, cometeu novamente os erros do primeiro turno. Perder para o Norwich no Carrow Road era normal, mas para o lanterna Wigan, em casa, foi inaceitável. O Reebok Stadium, onde a turma de Owen Coyle perdeu nove de 13 jogos, já não representa mais nada. Ataque apático (N’Gog titular, para a alegria do amigo Frederico Maranhão) e defesa à Chelsea podem rebaixar um clube que prometia, porém não cumpriu.

Os impopulares do DW Stadium. Quase sem público, time e esperança, o Wigan não deve mais desafiar a lógica. Há sete anos na elite, os Latics nunca haviam disputado a Premier League com um elenco tão inexpressivo quanto este. Ainda aparecem vitórias improváveis, mas com menos frequência. Desta vez, não há Lee Cattermole, Jimmy Bullard, Wilson Palacios, Antonio Valencia ou até Emile Heskey para assumir a responsabilidade. Mesmo que Roberto Martínez incentive a equipe a passar a bola, a impressão que fica é de que o Wigan sempre está um nível abaixo dos demais.

Stuart Pearce convocou a primeira seleção inglesa pós-Capello. Veja aqui.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012 Premier League | 21:14

Terça cheia

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Duas temporadas após vendê-lo a preço de banana, o Chelsea sofreu um golaço de Sinclair

Numa terça-feira em que Liverpool, Chelsea, Manchester City, Manchester United e Tottenham atuaram quase ao mesmo tempo, a coluna recapitula a primeira parte da 23ª rodada da Premier League:

Wolverhampton 0 x 3 Liverpool. Kenny Dalglish gosta do Molineux. Foi lá que, na temporada passada, ele iniciou a reação do Liverpool com grandes atuações de Raul Meireles e Fernando Torres. Os ibéricos foram embora, e os britânicos garantiram outra vitória por 3 a 0. Adam, Carroll e Bellamy comandaram a partida que reposicionou os Reds na corrida pelo top four. Mas o que o Liverpool comemora mesmo é o retorno de Suárez já na próxima rodada.

Swansea 1 x 1 Chelsea. O bom segundo tempo do Chelsea, que anulou o domínio do Swansea no primeiro, foi premiado com o gol de Bosingwa aos 92 minutos. Resultado normal, ainda mais quando a gente olha para as exibições dos cisnes contra Tottenham e Arsenal no Liberty. Em Gales, o ótimo time de Brendan Rodgers não perdeu para o trio de ferro londrino.

Everton 1 x 0 Manchester City. Com direito a torcedor algemado à trave no primeiro tempo, um valente Everton deu sinal de que pode fazer um segundo turno melhor, como de costume para David Moyes. É pena que Donovan, que assistiu Gibson no gol do jogo, não fique até o fim da temporada. Aliás, o meia central irlandês prestou um belo serviço ao Manchester United. Finalmente.

Manchester United 2 x 0 Stoke. Tony Pulis estacionou o ônibus na área, mas o United fez o bastante para conquistar dois pênaltis e a co-liderança da Premier League, ao lado do City, com 54 pontos. Sem Rooney, ainda lesionado, dever cumprido e moral renovado após a queda na FA Cup.

Tottenham 3 x 1 Wigan. Bale e Modric ratificaram seu status de principais jogadores dos Spurs e resolveram o jogo sem problemas. Ótimo para quem recentemente empatou com o Wolverhampton num momento-chave da corrida pelo título. A derrota do City ajudou, mas, para reassumir o posto de candidato, o Tottenham precisa vencer o Liverpool na segunda-feira.

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012 Blackburn, Sunderland, Wigan | 10:49

Times de caráter

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O gol de Ji Dong-Won fez O'Neill levitar no Estádio da Luz

A frequência de resultados inesperados durante a maratona de ano-novo na Premier League tem um motivo especial: o caráter mostrado por algumas equipes. Sunderland, Wigan e Blackburn, para citar três, têm extraído forças de onde a gente nem imagina:

Sunderland. Quando assumiu os Black Cats, Martin O’Neill diagnosticou falta de confiança no vestiário, mas deixou claro que a “paixão”, como dizem os ingleses, ainda estava lá. Com alguns ajustes e o entusiasmo de sempre (a comemoração após o gol sobre o Manchester City foi qualquer coisa), o norte-irlandês tirou a equipe do buraco, marcou dez pontos em cinco partidas e celebrou uma grande vitória, pela qual os jogadores batalharam demais, sobre o líder do campeonato no primeiro dia de 2012. A notável atuação do capitão Lee Cattermole é o símbolo do novo Sunderland.

Wigan. Apesar de ainda estar na zona de rebaixamento e ter o pior saldo de gols da liga, o Wigan de Roberto Martínez não para de surpreender. O elenco mais frágil da elite inglesa tem arrancado resultados improváveis: nas últimas sete rodadas, houve vitórias fora de casa sobre Sunderland (ocasionando a demissão de Steve Bruce) e West Bromwich e empates contra Chelsea, Liverpool e Stoke. Este, conquistado no sábado, veio de forma heroica. Após sofrer a virada, com um jogador a menos, os Latics ganharam um pênalti no Britannia Stadium. Ben Watson entrou a quatro minutos do fim só para cobrá-lo e dar o empate ao, segundo Martínez, “inacreditável” Wigan.

Blackburn. Quem imaginava que, após perderem em Ewood Park para o Bolton, os Rovers levariam quatro pontos de Anfield e Old Trafford? No “clássico do porão”, há três rodadas, os torcedores locais pareciam querer uma derrota do Blackburn, para que o técnico Steve Kean fosse demitido. O Bolton ganhou, mas Kean, de forma até surpreendente, permaneceu no cargo. A partir daí, os jogadores se superaram, limitando o Liverpool a um gol e marcando três vezes contra o Manchester United, sempre longe de casa. A lanterna não está mais com eles.

Seleção da rodada
Simon Mignolet (Sunderland); Craig Gardner (Sunderland), Per Mertesacker (Arsenal), James Collins (Aston Villa), Leighton Baines (Everton); Scott Sinclair (Swansea), Steven Gerrard (Liverpool), Lee Cattermole (Sunderland), Craig Bellamy (Liverpool); Stephen Ireland (Aston Villa); Yakubu (Blackburn)

20ª rodada
Segunda-feira, 13h – Aston Villa x Swansea
13h – Blackburn x Stoke
13h – QPR x Norwich
13h – Wolves x Chelsea (ESPN, ESPN HD)
15h30 – Fulham x Arsenal (ESPN Brasil, ESPN HD)
Terça-feira, 17h45 – Tottenham x WBA
17h45 – Wigan x Sunderland
18h – Man City x Liverpool (RedeTV!, ESPN, ESPN HD)
Quarta-feira, 18h – Everton x Bolton
18h – Newcastle x Man Utd (ESPN Brasil, ESPN HD)

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segunda-feira, 17 de outubro de 2011 Wigan | 13:18

Caso quase perdido

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O jogador Roberto Martínez chegou ao Wigan há 16 anos. Pode virar uma autêntica história de início, meio e fim de um sonho

Filho de uma cidade mais ligada ao rúgbi do que ao futebol, o Wigan Athletic se sustenta na Premier League há sete temporadas. A promissora décima posição do primeiro ano contrasta com as salvações milagrosas dos seguintes. Este Wigan de Roberto Martínez, por exemplo, pouca gente entende como se mantém na elite. Ainda assim, a resposta pode ser óbvia e definitiva para o destino do clube.

À oitava rodada de 2009-10, o Wigan já havia acumulado nove pontos, que seriam 13 duas semanas depois. No ano passado, mesmo com uma tabela ingrata, o time repetiu a campanha dos oito primeiros jogos. Desta vez, os Latics agonizam na penúltima posição com os cinco pontos conquistados nas três rodadas iniciais, quando os recém-promovidos Norwich, Swansea e Queens Park Rangers (todos acima do Wigan hoje) foram os adversários.

O Wigan vem, portanto, de cinco derrotas consecutivas. A última delas, no sábado, foi um desastre. Em casa, a equipe de Martínez precisava vencer um desesperado e concorrente Bolton, que tinha seis reveses seguidos. Perdeu por 3 a 1, foi ultrapassado e agora vê apenas o risível Blackburn no retrovisor. Sem aqueles pontos de que ninguém se lembra nos últimos dias da temporada, o Wigan dificilmente permanecerá na elite.

Quem é a referência deste time, que já teve Jimmy Bullard, Leighton Baines, Antonio Valencia, Charles N’Zogbia e, vamos lá, Emile Heskey? Não há. Com Rodallega assíduo ao departamento médico e um tanto insatisfeito, o Wigan depende de Franco Di Santo, um atacante que marcou mais gols em 2011-12 do que em suas três primeiras temporadas na Inglaterra: três a dois.

Hoje, os pés mais brilhantes do elenco são os do versátil Victor Moses, que, aberto pelos flancos, faz bom campeonato. O garoto de 20 anos, ex-Crystal Palace, recebeu de Martínez a responsabilidade de calçar as chuteiras de N’Zogbia. Por enquanto, é o maior driblador da temporada, mas não basta para tirar a equipe do buraco. Sem Cleverley e N’Zogbia ao lado, ele não marcou ou assistiu sequer um gol em 2011-12.

O problema que se alojava numa defesa que levou 9 a 1 do Tottenham há duas temporadas passou também ao ataque, que marcou seis gols nas oito rodadas. Neste ritmo, o sonho do proprietário Dave Whelan, que comprou um clube de quarta divisão há 16 anos, aproxima-se de um baque. Ao rejeitar o Aston Villa no verão, o técnico Roberto Martínez abraçou a causa. Deve morrer abraçado a ela.

Seleção da rodada
David De Gea (Man Utd); Micah Richards (Man City), Jonas Olsson (West Brom), Christopher Samba (Blackburn), Ashley Cole (Chelsea); Cheik Tioté (Newcastle), James Milner (Man City); Adam Johnson (Man City), Juan Mata (Chelsea), Anthony Pilkington (Norwich); Robin van Persie (Arsenal).

Fantasy
Três pontos separam o quinto colocado do líder da liga God Save the Ball. Com oito rodadas, Brenda (Leo Tasca) assumiu a ponta. Veja a classificação atualizada.

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