Publicidade

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 Chelsea, Liverpool, Man Utd | 09:25

A estratégia e o talento

Compartilhe: Twitter

A associação do talento à solidez coletiva quase sempre aproxima um time do sucesso. Um dos mestres dessa negociação entre criatividade e segurança é Carlo Ancelotti, campeão europeu com Pirlo, Seedorf, Rui Costa, Shevchenko e Inzaghi no Milan de 2002-03. Hoje no Real Madrid, deve ser o técnico dos sonhos de Florentino Pérez, pela capacidade de criar sistemas seguros (às vezes rotulados de defensivos!) mesmo com vários jogadores mais talentosos com a bola do que sem ela. Mas o antecessor dele em Madri não trabalha exatamente assim.

É obvio que José Mourinho aprecia jogadores talentosos, mas o raciocínio dele passa muito mais por “como eles podem se adaptar a minha estratégia?” do que “como vou adaptar minha estratégia a eles?”. Na Internazionale, o português elegeu Diego Milito seu centroavante e transformou Samuel Eto’o num winger disciplinado, função que o camaronês não imaginava que poderia executar. E às vezes não há lugar para todo mundo. Não houve para Luka Modric no Real Madrid, assim como Juan Mata se deteriorou no banco do Chelsea em 2013-14.

Não parece haver tanto mistério no processo que levou à venda de Mata ao Manchester United. Mourinho pensa que Oscar é, por ser mais trabalhador e dinâmico, uma opção mais interessante do que o espanhol para a meia central do 4-2-3-1. E também não identificou motivos para escalar Mata na ponta direita, considerando alternativas mais rápidas e disciplinadas para a posição Willian, Schürrle e agora Mohamed Salah, contratado para substituí-lo – o egípcio ex-Basel é muito diferente dele, mas ocupa sua vaga no elenco.

Há também o debate sobre a decisão de reforçar um rival. Mourinho nunca vai admitir publicamente, mas, além das razões óbvias (o Manchester United não é candidato ao título e não joga mais contra o Chelsea na liga em 13-14), ele talvez não preveja um impacto tão grande assim do playmaker em Old Trafford. Pelo menos não equivalente aos £37 milhões investidos. A questão é: o excelente espanhol vai acrescentar criatividade ao United, mas não resolve o principal problema do time e ainda cria um dilema tático para David Moyes.

Mata sempre será ótima aposta para quem contratá-lo, mas não era a principal necessidade do United

Mata representa uma mensagem aos rivais (algo como “ainda estamos aqui”), deve garantir alguns pontos adicionais nesta temporada e pode ser a principal estrela do United nos próximos anos. No entanto, há uma lacuna bem clara no time titular que não foi preenchida, a do parceiro de Carrick no meio-campo. Cleverley agoniza em 2013-14, e Fellaini inexiste desde que deixou o Everton. A contratação que Moyes deveria ter feito – o primeiro alvo, para impulsionar uma recuperação até o quarto lugar – está no Paris Saint-Germain: Yohan Cabaye, que fazia tudo no meio-campo do Newcastle.

Cabaye teria um espaço óbvio na equipe, o que não é o caso de Mata. Sua posição preferencial, como número 10, é de Rooney. Moyes não parece disposto a uma alteração drástica (como escalar três zagueiros ou um losango no meio-campo), o que praticamente garante que, com todo mundo saudável, o ex-ídolo do Chelsea sempre jogará partindo da direita para o centro. Isso não o impede de influenciar jogos (pense em Silva, Ben Arfa, Hazard, Coutinho, Nasri e Cazorla, playmakers que já jogaram muito bem mesmo deslocados a um dos lados do campo), mas cria uma dificuldade.

Existe ainda uma questão que nos faz retornar aos primeiros parágrafos do artigo. A presença de Mata não deveria resultar na perda de espaço da grande novidade do time na temporada, Adnan Januzaj, relegado ao banco nos últimos jogos. Ao investir £37 milhões no playmaker, Moyes se propôs o desafio e até a obrigação de tornar viável uma formação que inclua Mata, Januzaj, Rooney e van Persie. Não há tempo, nem pontos a perder para uma equipe que quebra um recorde negativo atrás do outro.

Hoje, o mais óbvio seria a conversão a um 4-2-2-2 semelhante ao do Manchester City (quando jogam Silva e Nasri abertos), com bastante apoio dos laterais e Mata e Januzaj livres para criar por dentro quando o time tem a bola. É uma mudança radical em relação ao modelo de jogo que consagrou e notabilizou o Manchester United nas últimas décadas, mas algo claramente precisa ser feito. A atuação pálida contra o Stoke no sábado mostra que a próxima aposta que Moyes deve fazer é no talento.

A flexibilidade de Brendan Rodgers

Brendan Rodgers não abre mão do talento. O Liverpool é tema para outro texto, mas vale listar as soluções que Rodgers já tentou para garantir que Coutinho, Suárez, Sturridge e, mais recentemente, Sterling estejam na equipe:

– 3-4-1-2. Três zagueiros, um armador central à frente dos volantes e alas e dois atacantes que precisavam se movimentar muito para compensar a teórica desvantagem numérica pelos lados. Sterling era reserva;

 – 4-4-2. Coutinho à esquerda, Sterling (após melhorar demais nos últimos meses) à direita e os dois atacantes com liberdade. O sistema se revelou frágil quando Lucas e Allen se lesionaram e Gerrard virou o volante mais recuado;

 – 4-1-4-1. Com os mesmos jogadores, Rodgers remodelou o time nas últimas rodadas (deu muito certo contra o Everton, mas nem tanto diante do WBA). Coutinho e Henderson se posicionam à frente de Gerrard, e Sterling oferece sua velocidade à direita. Suárez e Sturridge se revezam entre os papéis de centroavante e ponta esquerda.

Autor: Tags:

sexta-feira, 16 de agosto de 2013 Everton, Norwich, Southampton, Tottenham | 09:49

Eu quero ver

Compartilhe: Twitter

Na véspera da abertura da Premier League, o blog retorna para tratar dos times que mais despertam curiosidade antes da temporada:

Norwich. Após evitar o rebaixamento na primeira temporada sem Paul Lambert, o Norwich de Chris Hughton pode ir mais longe em 2013-14 por conta dos bons investimentos. Chegaram a Carrow Road cinco potenciais titulares: Martin Olsson, lateral-esquerdo ofensivo para disputar posição com Garrido; Leroy Fer, bom meia central do Twente; Nathan Redmond, winger da seleção sub-21 que evoluiu bastante na última temporada; uma nova dupla de ataque: Gary Hooper e Ricky van Wolfswinkel.

As contratações e o perfil de Chris Hughton indicam o 4-4-2. Os Canaries, que dependiam da truculência de Grant Holt para marcar gols, desta vez podem confiar em dois atacantes que se completam. Talvez você já tenha assistido a este vídeo, em que um garoto relata seu drama como torcedor do Sporting. Entre tantos outros pontos, ele questiona o 4-3-3 adotado pelos portugueses, afirmando que “o Wolfswinkel, lá sozinho, não mete medo a ninguém”. Agora ao lado de Hooper, de ótimos números no Celtic, o bom holandês ficará mais confortável em campo. Também vale prestar atenção a Robert Snodgrass, que deve produzir mais em melhores companhias.

Everton. As alterações no elenco não são tão significativas – foram contratados dois jogadores do Wigan e Gerard Deulofeu por empréstimo, enquanto ninguém saiu –, mas o estilo deve mudar drasticamente. Se David Moyes era um técnico flexível, que se reinventava diante de cada adversário, Roberto Martínez é convicto e ataca todo mundo. O espanhol ensaia reproduzir no Everton o 3-4-3 criado no Wigan, sistema que, por sua ótima execução, foi diretamente responsável por um milagre em 2011-12 e um título da FA Cup em 2012-13, ainda que não tenha evitado o rebaixamento.

Até que ponto Martínez vai arriscar?

O Everton precisa de ajustes para não se perder em meio às modificações, mas até tem recursos para se adaptar. Os alas Coleman e Baines podem desfrutar mais liberdade, Fellaini se adequa perfeitamente a uma função mais defensiva que a da temporada passada, e os pontas – provavelmente Mirallas e Deulofeu – prometem aterrorizar laterais. O problema é a ausência de zagueiros (além de Jagielka) e atacantes centrais confiáveis, com Jelavic inconstante desde 2012-13 e Koné precisando provar que não é meramente um amigo de Bob Martínez, com quem trabalhou no Wigan.

Southampton. Por ora, o mercado trouxe dois novos titulares para fazer enorme diferença: Dejan Lovren, croata do Lyon que deve ser absoluto numa defesa que não transmitia confiança, e Victor Wanyama, queniano que era um monstro no meio-campo do Celtic. O time criado por Nigel Adkins e herdado por Mauricio Pochettino não tem pontos fracos aparentes para quem pretende fazer campanha tranquila. Coletivamente, é moderno, sobe a marcação e deve fazer várias vítimas no St. Mary’s, onde impôs derrotas por 3 a 1 a Liverpool e Manchester City na parte final da última temporada.

Individualmente, destaque para os ótimos laterais jovens – Nath Clyne e Luke Shaw –, meio-campistas completos em Wanyama, Jack Cork e Morgan Schneiderlin (o uruguaio Gaston Ramírez é talentoso, mas pode perder a posição se for tão inconsistente quanto em 12-13) e opções de ataque bem interessantes. Adam Lallana e Rickie Lambert são fundamentais desde a época da terceira divisão e provaram capacidade na Premier League. Jay Rodriguez, pelo desempenho nas últimas rodadas da temporada, também promete para 13-14.

Tottenham. As cartadas do Tottenham no mercado sugerem que André Villas-Boas vai implantar seu esquema predileto, o 4-3-3. No meio-campo, Etienne Capoue disputa posição com Sandro para fazer a proteção à defesa, com Paulinho e Moussa Dembele responsáveis pela transição ao ataque. O meio-campo está bem definido, mas falta um jogador como era João Moutinho no Porto de AVB. Paulinho e Dembele são excelentes, porém muito parecidos, pela intensidade e a capacidade de carregar a bola, exatamente como o colombiano Fredy Guarín no primeiro grande time de Villas-Boas.

A contratação de Roberto Soldado garante aos Spurs o goleador que Emmanuel Adebayor não foi na temporada passada. O belga Nacer Chadli, ex-Twente, também é aposta interessante para fazer o lado esquerdo do ataque, com Aaron Lennon tentando se manter à direita. Hoje, é difícil imaginar onde entraria Lewis Holtby, que ficou bem abaixo do esperado em seu primeiro semestre em Londres. E ainda há certo Gareth Bale no elenco. Está claro que AVB projeta o time sem ele – e parece gastar à vontade, pensando na venda ao Real Madrid –, mas não seria absurda a permanência do galês insatisfeito, ao lado de um elenco menos dependente de seus gols improváveis.

Autor: Tags: , , ,

terça-feira, 25 de junho de 2013 Liverpool | 11:00

Além do óbvio

Compartilhe: Twitter

Depois que Luis Suárez mordeu Branislav Ivanovic e foi suspenso pela Football Association, o Liverpool venceu três partidas, empatou uma e marcou dez gols. Era mesmo necessário minimizar a sensação de dependência, pois o time caminhará sem o uruguaio nos seis primeiros jogos de 2013-14, que completam sua segunda longa punição desde que chegou à Inglaterra. Para piorar, ele vive sugerindo em entrevistas que pretende deixar a liga inglesa, criando uma cortina de fumaça sobre seu simples e direto desejo de jogar no Real Madrid.

Há seis meses, o Liverpool se resumia a Suárez. Ficar sem ele, definitivamente ou não, deveria ser um cenário devastador para quem precisa começar a temporada com um bom aproveitamento – a corrida pelo top four exigirá isso do time, sobretudo porque a tabela não foi “madrasta” como nas primeiras rodadas da temporada passada. Mas não é bem assim. Conforme indicaram as últimas partidas de 2012-13, Coutinho e Sturridge podem perfeitamente tomar conta do ataque.

Lançamento de Coutinho, gol de Sturridge®

O brasileiro é um ótimo condutor de bola e raramente erra o passe decisivo. Sturridge é muito rápido e costuma ganhar duelos individuais. Isso explica por que Brendan Rodgers abriu mão do tiki-taka e apostou mais em transições rápidas no fim da temporada. No entanto, Coutinho e Sturridge não são – e nem poderiam ser – os únicos motivos para o Liverpool marcar gols sem que Suárez tenha de pari-los. Até porque o inglês adora passar uns tempos no departamento médico e pode perder as primeiras rodadas de 2013-14.

A ideia de construir um ataque flexível foi uma das razões pelas quais, entre os dois meias da Internazionale que estavam disponíveis no mercado de inverno, Rodgers contratou Coutinho e deixou Sneijder para o Galatasaray. Sneijder teria de ser o “10”. Coutinho terminou a temporada como “10”, mas começou no Liverpool aberto pela esquerda, marcando lateral e ainda com fôlego para desiquilibrar à frente, numa linha que tinha Suárez por dentro e Downing à direita, todos atrás de Sturridge quando não havia lesionados.

Na parte final da campanha, essa flexibilidade dos jogadores de ataque fez Suárez atuar nas quatro posições ofensivas do 4-2-3-1 habitual de Rodgers. O uruguaio sempre fazia a diferença, mas não tinha mais uma função definida como na metade inicial da temporada, quando ele era a referência. A equipe aprendeu a não jogar necessariamente em função de Suárez. Numa comparação superficial com o Atlético Mineiro de Cuca, os quatro jogadores de ataque assumiam seus compromissos defensivos, mas poderiam “bagunçar” (para citar Ronaldinho) quando tivessem a bola.

Aspas acerta cabeçada em Carlos Marchena. Em algum ponto, ele substitui Suárez

Com ou sem Suárez, esse modelo deve se aperfeiçoar na próxima temporada. Rodgers, que fala castelhano fluente, começou o verão atacando o mercado espanhol. Já estão em Melwood Luis Alberto (20 anos), que passou a última temporada emprestado ao Barcelona B pelo Sevilla, e Iago Aspas (25), maior ídolo recente do Celta de Vigo. Para contratá-los, o Liverpool investiu £14 milhões, menos do que os £15 milhões que o West Ham pagou por Andy Carroll, que jamais se ajustaria à estratégia dos Reds.

Ao site do Liverpool, o jornalista Ben Hayward elogiou a capacidade que Luis Alberto tem de ler o jogo, além de sua versatilidade (foi “falso” centroavante no Barça B, mas ele mesmo afirma que não tem uma posição predileta) e visão para assistências – foram 18 na segunda divisão espanhola. De acordo com Andreas Vou, especialista em La Liga, Aspas tem o estilo de Giuseppe Rossi e o comportamento de Craig Bellamy. Se essas características se confirmarem, Rodgers terá o jogador que tentava contratar: não será um dos melhores da liga, mas é tecnicamente hábil para jogar em todas as posições de ataque e competitivo ao extremo.

Contratar dois jogadores cujos melhores momentos foram na segunda divisão espanhola não é a solução para todos os problemas do Liverpool, mas mostra que o clube deixou de ser preguiçoso na observação de talentos. Rodgers vê muito futebol, em todos os níveis, e não hesita em contratar um jogador que admira, mesmo que ele esteja longe de holofotes. Foi assim com Coutinho e Sturridge, e está sendo assim no mercado de verão. Ainda vale lembrar os jovens. Se o Liverpool não está desesperado atrás de wingers, é porque confia no desenvolvimento dos muito promissores Raheem Sterling e Jordon Ibe. Além deles, o criativo Suso faz ótimo Mundial sub-20 pela Espanha.

Mas o que fazer com Suárez? Tentar mantê-lo, claro. Ele é brilhante, embora seja também uma bomba-relógio, e tem mais quatro temporadas de um contrato assinado há menos de um ano. No entanto, se não houver acordo com o uruguaio, o clube não precisa mais ser refém dele. O único cuidado é não deixar a venda para as últimas horas da janela para transferências. Rodgers tem na manga uma lista de jogadores para reinvestir o dinheiro, entre os quais está o meia armênio Henrikh Mkhitaryan, do Shakhtar. O Liverpool foge do óbvio e está pronto para, com ou sem Suárez, melhorar o elenco.

Autor: Tags: , , , ,

sábado, 18 de maio de 2013 Liverpool | 16:04

A temporada possível

Compartilhe: Twitter

Rodgers sempre menciona as tradições e os valores do Liverpool. Mais do que um clube de futebol, é um modo de vida, diz

A temporada do Liverpool foi ruim ou boa, dependendo de quem a interpreta. Na perspectiva mais pessimista, o clube subiu apenas uma posição em relação a 2011-12 – de 8º a 7º na Premier League – e fracassou de maneira retumbante nas copas. Os otimistas podem buscar números menos importantes, mas que ajudam a traçar o novo perfil do time. Por exemplo, o saldo positivo de 27 gols, inferior apenas aos dos quatro primeiros colocados da liga, ou os 38 gols marcados fora de casa, um recorde neste campeonato.

O Liverpool, que encerra sua campanha contra o Queens Park Rangers amanhã em Anfield, perdeu nove partidas na liga, seis nas últimas 32 rodadas. Nada impressionante, mas indica um time menos frágil e previsível que o da temporada passada, derrotado 14 vezes no campeonato porque sangrava para marcar gols – foram 47 contra 70 (mais os que provavelmente serão marcados diante do QPR) de 2012-13.

Entretanto, números não definem precisamente a temporada do Liverpool, sobretudo porque o Fenway Sports Group, administrador do clube, escolheu a mudança no verão passado. Quando demitiu Kenny Dalglish, entregou o time a Brendan Rodgers e recusou-se a reforçar o elenco com jogadores para curto prazo (Clint Dempsey foi um exemplo), mesmo que isso tenha limitado demais as alternativas do treinador, o FSG bancou um projeto e desistiu da temporada.

O ano seria apenas um intervalo de tempo no qual Rodgers desenvolveria uma ideia de ruptura com o britanismo de Kenny Dalglish, ajustaria o elenco e tentaria provar, com alguns resultados e jogos marcantes, que está no caminho certo. Admitindo isso, Rodgers fez bom ano de estreia, com o bônus de ter desenvolvido garotos da base como Suso, Sterling e Wisdom e ainda recuperado jogadores que pareciam casos perdidos.

Henderson fez grande segunda metade de temporada, após um péssimo 2011-12, e Downing trabalhou até virar titular, ainda que deva perder a posição a partir de agosto, com novos reforços. Além deles, um Gerrard praticamente livre de problemas físicos se redescobriu como uma espécie de deep-lyng playmaker, trabalhando mais na organização do time do que na finalização de jogadas.

A falta de criatividade no primeiro mercado de transferências de Rodgers, que contratou os antigos conhecidos Allen e Borini, foi compensada pela sagacidade na janela de inverno, quando o Liverpool começou a resolver problemas de fato. As capturas de Sturridge e Coutinho em janeiro não foram golpes de sorte, mas a confirmação de que, com tempo para avaliar o próprio elenco, Rodgers sabia exatamente o que estava fazendo e de que tipo de jogador precisava.

Entrevistas de diretores e do próprio Rodgers indicam que o próximo mercado seguirá o mesmo modelo. A ideia é contratar jogadores jovens, talentosos, ainda não tratados como fenômenos (por isso mais baratos) e que possam se desenvolver no clube. Tudo sem preconceitos ou clichês.

Sturridge, que teve algumas atuações espetaculares, mostrou que nem todo inglês contratado pelo Liverpool é superestimado. A nacionalidade nada tem a ver com seu talento, mal explorado pelo Chelsea. Outro grande exemplo é Philippe Coutinho, incrível durante o empréstimo ao Espanyol, subavaliado pela Internazionale, que cometeu um enorme equívoco ao vendê-lo por apenas £8,5 milhões, e considerado precipitadamente uma promessa frustrada – ele tem só 20 anos! O brasileiro é o melhor jogador do Liverpool desde que foi contratado.

Ídolo precoce, Coutinho já virou até peça de Lego

No próximo verão, seguindo a lógica de contratar para setores carentes, o Liverpool deve acrescentar ao elenco um zagueiro para substituir Carragher, que está se aposentando, um lateral-esquerdo para competir com José Enrique, um meia versátil e criativo (outro Coutinho) e um winger mais eficiente do que Downing. Manter Suárez é parte importante do projeto, mas uma eventual saída não é o apocalipse, desde que haja reinvestimento. Nas vitórias enfáticas sobre Newcastle (6 x 0) e Fulham (3 x 1), o Liverpool provou que a ausência de seu melhor jogador não pesa tanto quanto há cinco meses.

Sagaz no mercado, Rodgers também evoluiu do ponto de vista tático. No início da temporada, ele vivia falando em “matar (adversários) pela posse de bola”. Contudo, para se tornar menos previsível, o Liverpool incorporou outros estilos a seu jogo de controle e marcação adiantada. Contra Newcastle e Fulham, média de apenas 49% de posse de bola e vários gols marcados em transições rápidas, aproveitando a criatividade de Coutinho e a velocidade de Sturridge.

O principal obstáculo a Rodgers será a exigência natural de resultados, que aumenta à medida que a mudança de patamar se confirma. Em 2012-13, a avaliação não passará somente pela “sensação de progresso”, mas também pelo “progresso de fato”, aquele dos números e objetivos alcançados. Não se trata de atrelar a manutenção do emprego do norte-irlandês à classificação para a Champions League 2014-15, porém o Liverpool tem de flertar com os 70 pontos.

Página do blog no Facebook

Autor: Tags: , , , ,

segunda-feira, 13 de maio de 2013 Wigan | 14:58

Copo meio cheio

Compartilhe: Twitter

Na Premier League, a semana do Wigan foi bem negativa. De uma inesperada derrota para o Swansea na terça-feira a uma combinação de resultados que garantiu a permanência na elite a Norwich, Newcastle, Southampton e Fulham, a possibilidade de rebaixamento cresceu bastante. O Wigan ainda depende dos próprios resultados para sustentar o rótulo de incaível, mas precisa vencer o Arsenal amanhã no Emirates (aconteceu na arrancada espetacular da temporada passada) para levar a decisão ao confronto direto com o Aston Villa, na última rodada.

Ainda assim, foi ironicamente a melhor semana da história dos Latics. A inédita conquista da FA Cup, acompanhada de uma categórica vitória por 1 a 0 sobre o Manchester City no sábado, é inesquecível. Além da discrepância entre os níveis de investimento, o City não tinha problemas no elenco – enquanto Roberto Martínez não contava com três titulares – nem desgaste mental comparável ao de um Wigan que perdeu toda a margem de erro a que tinha direito para permanecer na Premier League.

Implacável pelos lados, o 3-4-3 de Martínez aprontou de novo

Os Latics, que tiveram expressivos 48% de posse de bola e finalizaram 14 vezes, mereceram vencer. Martínez foi criativo para superar os desfalques na defesa, anulou os pontos fortes do City (muito mais ligados à qualidade individual do que à estratégia mal-acabada de Roberto Mancini) e não estacionou o ônibus. Ao contrário, decidiu que a melhor maneira de manter o adversário distante de seu gol era brigar pelo controle do jogo em vez de entregá-lo ao Manchester City.

Titular da ala direita durante a temporada, Boyce foi um dos três zagueiros, ao lado de Alcaraz e Scharner, que ocupou o espaço do lesionado Figueroa. Como o reserva de Boyce na ala, Stam, está fora da temporada, Martínez improvisou no setor o volante McArthur, que protegeu o corredor e deixou ao abusado McManaman a tarefa de atacar Clichy. À esquerda, no lugar do também lesionado Beausejour, o treinador espanhol escalou Espinoza, fundamental para oferecer profundidade com Maloney deslocado à faixa central para criar jogadas.

Enquanto o City agonizava, os Latics exploravam o ataque pelas pontas e só não venceram com facilidade por conta da desvantagem técnica em relação ao adversário, pois a execução da estratégia de Martínez se aproximou da perfeição. O Wigan, que costuma ser divertido para quem assiste, mas tem problemas sérios para se defender, desta vez foi preciso e contrariou o clássico roteiro das vitórias de times menores sobre gigantes, sem tantos milagres do goleiro Robles (que foi muito bem quando exigido) e ameaçando Hart em vários momentos.

Amigos para sempre

O Wigan não tem o direito de reclamar dos sorteios da FA Cup, que lhe reservaram apenas dois confrontos contra equipes da Premier League, mas as vitórias na decisão e nas quartas de final, por 3 a 0 sobre o Everton em Liverpool, não deixam dúvidas. O provável rebaixamento colocaria em xeque o futuro do clube, que pode perder Martínez e jogadores-chave (McManaman, McCarthy e os mais experientes Koné e Maloney têm mercado), mas não deve ser tratado como uma tragédia. É, na verdade, o caminho natural para quem investe tão pouco no elenco mesmo em relação a recém-promovidos, como West Ham e Southampton, que contratou Rodriguez e Ramírez no verão e competiu com o Liverpool por Philippe Coutinho em janeiro.

O proprietário Dave Whelan tem mais motivos para festejar. A conquista foi a realização de um sonho que parecia impossível, rendeu uma vaga na próxima Europa League e reforçou os laços entre ele e Martínez, que foi meio-campista do Wigan de Whelan entre 1995 e 2001 e retornou ao clube como treinador há quatro anos. Mesmo que o último capítulo dessa história seja o rebaixamento, que pode deixar o clube em situação difícil, às vezes é preciso valorizar mais as experiências do que o fluxo de caixa. E o que Martínez fez pelo Wigan não tem preço.

Página do blog no Facebook

Autor: Tags: , ,

sexta-feira, 10 de maio de 2013 Everton, Man Utd | 11:03

A sucessão

Compartilhe: Twitter

A aposentadoria de Sir Alex Ferguson é daqueles eventos em que, antes de acontecer, ninguém acredita – à exceção do Telegraph, primeiro jornal a indicar a saída do manager após quase 27 anos no comando do Manchester United. Como sugeriu o artigo anterior desta coluna, o discurso de Ferguson não sinalizava aposentadoria. Não à toa, as especulações praticamente inexistiam, ou pelo menos eram bem mais leves do que temporadas atrás.

Acredite: Ferguson passou o bastão

No entanto, há aspectos lógicos na decisão. A menos que fosse motivado por um problema de saúde ou algo parecido, ele jamais escolheria sair em um cenário negativo. O 20º título do United no campeonato, 13º de Ferguson, é o melhor encerramento possível do ponto de vista moral, sobretudo por ser um incontestável contra-ataque à conquista do Manchester City em 2011-12. Além disso, quando justificou a aposentadoria, o manager reiterou o bom estado (qualidade e média de idade) do elenco que entregará a seu sucessor.

Aliás, o sucessor escolhido por Ferguson e aprovado pelo clube é a melhor manifestação de que o United não pretende promover alterações drásticas. Se existe alguém capaz de preservar o legado, sem a vaidade de apressar mudanças e deixar sua “assinatura” no clube imediatamente, é o escocês (outro, após Matt Busby e Ferguson) David Moyes, de 50 anos. Há 11 temporadas em Goodison Park, Moyes treinará o Everton nas duas rodadas restantes da Premier League e, em seguida, assumirá o que foi batizado de “trabalho impossível”.

Nem tanto, convenhamos. O contrato de seis anos oferecido pelo United atesta a confiança depositada em Moyes (quase um Alan Pardew, a quem o Newcastle entregou precipitadamente um contrato de oito temporadas), que há muito é um dos treinadores mais respeitados da liga. Respeito adquirido por conta da construção de um Everton sustentável e competitivo, que superou elencos mais caros e sempre foi um adversário difícil para qualquer time em qualquer estádio.

É equivocado afirmar que Moyes nunca gastou ou que sempre montou times contratando free agents, mas é correto vincular esse investimento a vendas importantes. Se um dia o Everton comprou Jagielka, Baines, Fellaini, Pienaar e Mirallas, é porque fez muito mais dinheiro com Rooney, Lescott, Rodwell, Andy Johnson (sim, Moyes o vendeu ao Fulham por £13 milhões) e Arteta. Lembra Simon Kuper, do Financial Times, que o Everton tem apenas a 10ª folha salarial da liga e sempre terminou entre os oito primeiros desde 2007.

Moyes não é um técnico purista como Jürgen Klopp ou Pep Guardiola, de estilos inconfundíveis. O Manchester United certamente não será um time tão intenso e rápido quanto o Dortmund ou um praticante do tiki-taka como o Barcelona 2008-2012. O novo chefe em Old Trafford é bem mais maleável e adapta-se ao que tem à disposição para competir. Há quatro ou cinco anos, as pessoas reclamavam de um Everton sem atacantes – na verdade, com Tim Cahill ocupando o espaço correspondente. Hoje, reclamam dos dois postes à frente, Fellaini e Anichebe.

Apesar da flexibilidade, é possível usar como referência o Everton de 2012-13. Particularmente no início da temporada, quando tinha Pienaar e Jelavic em grande fase, Moyes montou uma equipe empolgante, sobretudo nos jogos em casa. Fellaini dominava partidas, Mirallas era um azougue à direita, Baines avançava no espaço abandonado por Pienaar, e Osman controlava o meio-campo. Se recuperar os wingers e contratar os jogadores certos (enfim, dinheiro não será problema), ele pode reproduzir esse tipo de futebol em Old Trafford, com jogadores mais decisivos e confiáveis.

Uma ressalva que precisa ser feita é a ausência de títulos de elite no currículo de Moyes, campeão apenas da terceira divisão com o Preston North End, em 2000. No Everton, sem troféus há 18 anos, a pressão era minimizada pela consistência da equipe e pelo título imaginário de “terminar a liga acima do Liverpool”, algo que Moyes conseguiu em 2005, 2012 e tem tudo para repetir em 2013.

Apesar disso, é bobagem recorrer a um daqueles clichês, como “Moyes é técnico de time sem ambição”. Faltou a chancela de um título, mas ele cumpriu seu papel no Everton e até excedeu as expectativas. A questão agora é conviver com outro tipo de pressão. No United pós-1990, conquistas vêm de maneira natural e são resultado também da excelente gestão Ferguson, uma raposa em campo e hábil no relacionamento com a diretoria e os jogadores. A ética de trabalho de Moyes o transformou no candidato ideal para continuar esse processo.

Autor: Tags: , , ,

quinta-feira, 2 de maio de 2013 Debates, Man Utd | 19:01

O Bayern inglês

Compartilhe: Twitter

SAF não diminui o ritmo

A hegemonia do Manchester United na Premier League esteve realmente ameaçada apenas uma vez, quando as três temporadas de 2003 a 2006 foram dominadas pela melhor versão do Arsenal de Wenger e pelo excelente Chelsea de Mourinho. Mas a resposta a esse período foi imediata. Associado a um ótimo desempenho na Europa, o tricampeonato de 2007-08-09 reiterou a soberania do United na era moderna do futebol inglês.

O título de 2012-13, antecipado há bastante tempo e confirmado na semana passada, foi mais uma demonstração da capacidade de Alex Ferguson de preservar o ethos vencedor em Old Trafford, sempre com ajustes pontuais de uma temporada para outra. Por enquanto, houve três elementos capazes de combater o United desde a fundação da Premier League, em 1992: Alan Shearer (título do Blackburn, em 1994-95), Arsène Wenger e o investimento pesado de Chesea e Manchester City. Os Devils sempre contra-atacaram.

Por conta da quantidade de boas e ótimas equipes (ainda superior, por exemplo, à da Bundesliga), a Premier League transmite uma sensação de competividade, mas está claro que o Manchester United é o Bayern Munique da Inglaterra. Candidatos a concorrentes não faltam, mas ele sempre está na corrida pelo título e habitualmente ganha (13 de 21, ou seja, 62% das edições da Premier League).

As mudanças drásticas pelas quais o futebol inglês passou não atingiram Ferguson, que jamais mereceu o rótulo de ultrapassado. Ainda que faça escolhas questionáveis, como relegar Rooney ao banco no jogo da eliminação na Champions League, e mude demais o time durante a temporada, o manager sempre se atualizou como estrategista e manteve total controle sobre o vestiário. Em Old Trafford, ninguém pode ser ou sentir-se maior do que SAF.

O amor recíproco entre Mourinho e Chelsea: que seja infinito enquanto dure

Ferguson é a combinação perfeita entre sagacidade, liderança e imposição de respeito a adversários e arbitragens. Avesso à palavra “aposentadoria” e no comando de um clube que fecha um contrato milionário atrás do outro, ele está na posição ideal para seguir dominando o futebol inglês. A questão é: quem pode minimizar o sucesso do United nos próximos anos?

As respostas mais óbvias são Manchester City e Chelsea, mas o dinheiro precisa ser associado a decisões certas. Para muita gente, os lampejos do City no fim da temporada, como a vitória sobre o United em Old Trafford, justificam um voto de confiança a Roberto Mancini. Outra interpretação é de que o técnico italiano fracassou por não tirar o melhor do time de maneira consistente. O fato é que, apesar do provável título na FA Cup, a temporada é fraca e reflexo de um trabalho confuso, que incluiu contratações que não acrescentaram nada ao elenco.

No caso do Chelsea, a esperança está totalmente depositada no iminente retorno de José Mourinho. A volta do português seria ótima para o clube e para a liga, mas vale lembrar que ele e Roman Abramovich não são propensos a longas parcerias – o período de Mourinho nos Blues (2004-2007) é o máximo que ele permaneceu num clube e também o trabalho mais longo de um treinador sob o comando do russo. Na Premier League, o pós-Mourinho foi decepcionante, com um título e vários anos longe do United.

Entretanto, a conversa não precisa ficar restrita a Manchester City e Chelsea. O notável exemplo do Borussia Dortmund, bicampeão alemão (2011 e 2012) e finalista da atual edição da Champions League, mostra que investimento descomunal não é o único caminho para tornar-se uma potência, embora ele facilite e acelere esse processo. Mas isso é assunto para outro artigo, em breve.

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 18 de abril de 2013 Cardiff, Swansea | 22:17

O desafio começa agora

Compartilhe: Twitter

O acesso do Cardiff à Premier League, confirmado na terça-feira após um empate por 0 a 0 com o Charlton, consolidou o grande momento do futebol galês. Aquele que não é meramente o País de Bale forma outros bons jogadores, tem a segunda melhor seleção do Reino Unido e será, pela primeira vez, representado simultaneamente por Cardiff e Swansea (a propósito, campeão da Copa da Liga) na elite inglesa – para relembrar por que alguns galeses estão na pirâmide do futebol inglês, recomendo o texto de Leonardo Bertozzi.

No entanto, a conquista do Cardiff e a ascensão do Swansea não fazem parte do mesmo processo. Enquanto seu rival progride porque toma decisões certas, norteadas por uma filosofia que inclui sustentabilidade financeira e um tipo característico de futebol, promovido por todos os treinadores que lá estiveram desde Roberto Martínez, o Cardiff sobe especialmente por conta do suporte financeiro.

Apesar de o acesso ter amadurecido nos últimos anos, há mais aspectos que aproximam o Cardiff do Queens Park Rangers, que deve retornar à segunda divisão após dois anos de agonia na Premier League. Por exemplo, o processo de montagem do elenco é bem semelhante ao que levou o QPR à elite. O proprietário do clube galês, o malaio Vincent Tan (compatriota de Tony Fernandes, proprietário do QPR), preferiu construir um grupo experiente, bem comandado pelo técnico Malky Mackay e destinado a dominar a Championship, mas insuficiente para fazer bom papel na próxima temporada.

Não há nada errado em concentrar suas forças para assegurar uma vaga na Premier League, mas o desafio técnico que ela impõe na temporada seguinte, mesmo que o único objetivo seja chegar entre os 17 primeiros, é bem maior. As referências ofensivas do elenco – Bellamy (33 anos), Helguson (35), Whittingham (28) e Campbell (25) – não têm potencial para evoluir. A tendência é que particularmente os dois primeiros percam fôlego na próxima temporada. Importante para garantir o acesso, com seis gols em 11 jogos, Fraizer Campbell mal aparecia no Sunderland até janeiro, quando foi contratado.

É claro que o próprio Swansea apresentou gratas surpresas, como Ashley Williams (hoje com 28 anos) e Leon Britton (30), que conseguiram reproduzir na elite o ótimo nível mostrado em divisões inferiores. Mas essas são exceções à regra. Assim como fez o Southampton no verão passado, o Cardiff precisa investir para ser competitivo em 2013-14, com o cuidado de evitar os erros cometidos pelo QPR. Por exemplo, vale mais apostar em alguém como Jay Rodriguez, antigo destaque do Burnley que amadureceu e faz excepcional fim de temporada no Southampton, do que pagar um salário astronômico a Bobby Zamora, que criou um problema atrás do outro em Loftus Road.

O novo Cardiff tem até slogan: "fire & passion"

Outro aspecto com que o Cardiff precisa se preocupar é a excentricidade de seu proprietário. Há menos de um ano, Tan trocou o azul pelo vermelho como cor principal do clube e promoveu o dragão a mascote mais importante, em detrimento do pássaro azul. Tudo porque o vermelho e o dragão, segundo ele, melhorariam o rendimento do time em campo e tornariam a marca muito mais forte no mercado asiático. Um atentado à identidade da instituição.

Torcedor do Cardiff entre 1975 e 2012, Scott Thomas fez um depoimento ao Guardian em que relata ter desistido de apoiar o clube por conta de Tan. “Não assisto mais aos jogos do Cardiff City. Quando vi Craig Bellamy segurando um cachecol vermelho (após a promoção à Premier League), não doeu tanto quanto eu pensava. Isso confirma que tomei a decisão certa. O Cardiff City não subiu na noite passada. O Cardiff City morreu no último verão”, constatou.

Autor: Tags: , , ,

quinta-feira, 11 de abril de 2013 Man Utd | 19:16

Por que Falcao?

Compartilhe: Twitter

A hipótese de Radamel Falcao García jogar em Old Trafford parece bem realista. Guillem Balagué, jornalista da Sky Sports que se notabilizou por antecipar e desmentir negociações ligadas a clubes ingleses e espanhóis, informa que o Manchester United já pagou ao Atlético Madrid uma espécie de adiantamento para assegurar a contratação do atacante colombiano.

"I'm still here"

Apesar da inegável capacidade de Falcao de decidir partidas por conta própria, é estranha a suposta disposição do clube em investir tanto nele (o Atlético pagou €40 milhões há dois anos). Mesmo que Kagawa e Welbeck sejam aproveitados em outros papéis, não há carência de atacantes no elenco de Rooney, Hernández, van Persie e Henríquez – estes dois comprados em 2012 para garantir, respectivamente, o presente e o futuro do United na posição. Por isso, o blog indica cinco jogadores, para cinco funções diferentes, que o United deveria contratar antes de cogitar torrar em Falcao uma considerável parcela do orçamento:

Luka Modric. Seria a contratação ideal de um deep-lying playmaker (algo como um “volante criativo”), papel para o qual o United resgatou Paul Scholes em janeiro do ano passado, após sete meses de aposentadoria. É verdade que Alex Ferguson aposta em Cleverley, mas está claro que ele não pode ser a única opção confiável para acompanhar Carrick no meio-campo (Giggs deve ser encarado como um bônus). Modric, excepcional em quatro temporadas de Premier League, não é um sonho impossível porque rendeu bem menos do que o Real Madrid esperava depois de pagar £33 milhões ao Tottenham: é um reserva de luxo, chamado quando José Mourinho precisa abrir defesas bem fechadas.

Gareth Bale. Se alguém justifica um investimento de £50, £60 milhões no contexto do United, este é Bale. Como os wingers do elenco – Valencia ,Young e Nani – estão em má fase, Ferguson pensa em novas opções para a função e já garantiu Wilfried Zaha, do Crystal Palace, para a próxima temporada. Mas Bale representaria um passo à frente, pois pode ser um winger à Cristiano Ronaldo em seus anos de Old Trafford. O galês provou nesta temporada que causa pânico em qualquer setor do ataque. Se tivesse no United a mesma liberdade que transformou o português numa máquina de marcar gols em 2007-08, a estrela do Tottenham seria ainda mais fenomenal.

Isco. A moda entre grandes clubes da Inglaterra é contratar meias versáteis, criativos (Oscar, Hazard, Coutinho…) e, se possível, espanhóis (Mata, Cazorla, Silva…). Em algum momento, Ferguson deve se render a um desses especialistas em assistências. Assim como o Arsenal aproveitou os problemas financeiros do Málaga para capturar Cazorla e Monreal, o United poderia buscar um dos prodígios do futebol espanhol: Isco, grande destaque da campanha do time andaluz na Champions League.

Toby Alderweireld. É mais um da fábrica de bons zagueiros belgas do Ajax que interessam a clubes ingleses, que já produziu Vermaelen e Vertonghen. Alderweireld, que tem seu nome ligado ao Liverpool, seria ótima aposta não apenas pela qualidade, mas também pelo preço. Como o contrato termina em 2014, a tendência é que os holandeses o liberem por, digamos, £7 milhões. Se Ferguson efetivar Phil Jones como meio-campista, seria importante ter à disposição outro defensor no momento em que Vidic e Ferdinand envelhecem. Bem como Brown e O’Shea, que deixaram Old Trafford em 2011, pode atuar ainda na lateral direita, com o bônus de ser tecnicamente superior aos dois.

Victor Wanyama. Se Jones virar zagueiro, aí seria mais interessante correr atrás do queniano do Celtic. O jovem de 21 anos, um grande ladrão de bolas, rapidamente se tornou ídolo em Glasgow pela intensidade e também pela capacidade de organizar o time após desarmar o adversário. Autor de um dos gols da vitória histórica sobre o Barcelona na Champions League, Wanyama é uma opção segura, sem tanto prejuízo técnico, para jogos em que a prioridade é travar o meio-campo oponente. Na controversa lista do Guardian com os 100 melhores jogadores do mundo, ficou em 81º.

Autor: Tags: , , , , ,

segunda-feira, 25 de março de 2013 Inglaterra | 21:57

A batalha de Podgorica

Compartilhe: Twitter

A Inglaterra não pode falhar contra Montenegro no Leste Europeu. Dois pontos abaixo do adversário de amanhã, a seleção de Roy Hodgson tentará, no confronto direto, assumir a liderança do Grupo H das Eliminatórias para a Copa do Mundo do ano que vem. A visita a Podgorica não é simples. Nas Eliminatórias para a Euro 2012, por exemplo, houve empate por 2 a 2 numa partida dramática, com expulsão de Rooney e confirmação da classificação inglesa.

O cenário desta terça-feira é mais perigoso. Ainda que as seleções precisem se enfrentar em Wembley (onde, nas Eliminatórias para a Euro 2012, a Inglaterra foi travada e não saiu do 0 a 0) daqui a sete meses, a vantagem na tabela oferece aos montenegrinos a possibilidade de jogar como eles gostam. Em declaração publicada hoje pelo Guardian, o técnico Branko Brnovic assumiu que “talvez estacione um ônibus na defesa e tenha duas Ferraris no ataque”.

As duas Ferraris são Stevan Jovetic, da Fiorentina, e Mirko Vucinic, da Juventus, atacantes ótimos e flexíveis que podem aproveitar eventuais espaços. Defesa disciplinada e ataque autossuficiente, marcas registradas dos montenegrinos, costumam ser um terror para a Inglaterra, que nos últimos ciclos mostra impressionante falta de traquejo para propor o jogo, algo que será necessário amanhã.

A Inglaterra foi incapaz de vencer Montenegro nas Eliminatórias para a Euro 2012. Desta vez, empatar não basta

Mas há um alento. O time que entregou a bola ao adversário e se limitou a contra-ataques em amistosos, na Euro e nas Eliminatórias parece ter percebido que precisaria mudar para evitar um fiasco na busca por uma vaga em 2014. Não pela goleada por 8 a 0 sobre San Marino, na sexta-feira, mas especialmente pela atuação no amistoso contra o Brasil, no início de fevereiro. Foi quando o 4-1-4-1 de Hodgson avançou a marcação e causou problemas constantes à defesa de Scolari. Por outro lado, a ausência do lesionado Wilshere atrapalha a execução de um “futebol moderno” em Montenegro.

É claro que a partida em San Marino não serve de parâmetro em função da debilidade do oponente, mas houve um ponto interessante na postura da Inglaterra. Diante de um adversário que não representava ameaça, Baines foi escalado na função “Jordi Alba”. Alba se transformou em peça fundamental para a Espanha durante a Euro porque, embora estivesse listado como defensor, era ele quem avançava pela esquerda e oferecia uma rara opção por um dos lados do campo. Exatamente o que fez um participativo Baines contra San Marino.

A presença do lateral do Everton, em vez de Ashley Cole, seria um indício de que Hodgson está preparado para atacar Montenegro e superar uma defesa que deve congestionar a faixa central. Mas este será apenas um dos testes para um time obrigado a agredir. A Inglaterra não tem o direito de repetir o péssimo desempenho dos empates contra Ucrânia e Polônia.

Página do blog no Facebook

Autor: Tags: ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. 20
  9. 30
  10. Última